Aqui está o tergiversar ininterrupto que os intervalos empurram dos meus silêncios para este caderno não-papel.
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terça-feira, 21 de abril de 2020
terça-feira, 31 de março de 2020
Jesus não usa cinto
- Jesus! Ô Jesus, tu tá aí? Jeeeesuuuuuuuuussssss!- Faaaala mmmmeeeeu fiiilho.
- Teu filho não, né? Que Deus é pai e tu ainda não tá no cargo, magrão. Mano, seguinte...
- Fala, mal educado...
- Foi tu que começou...
- Fala logo, cacete, tem mais cinco bilhões chamando.
- Tá, ocupadão, seguinte... Matar já entendi que não pode, beleza, tamojunto...
- E?
- Então... e um tundão de cinta nesses moleque admirador de ditadura e pastor picateta, só a nível de vergão, nada profundo, pode?
- Claro que não, né?
- Ah! Mas aí fica difícil... Isso daí já passou a tempo da tampa... Como que faz?
- Ué, tu não leu a bíblia?
- Lá vem tu com 'ama teu inimigo' e os escambau...
- Não, seu tongo! O certo não é cinto. Dei até exemplo prático expulsando os vendilhões do templo com chicote. Chicote é o certo.
- Hmmm... Entendi, valeu! Vamos marcar um churrasco hora dessas.
- Por mim pode ser amanhã, aqui em casa.
- Calma, apressadinho, calma que esse boleto ainda não venceu
... e vai ser aqui em casa, né!
terça-feira, 17 de março de 2020
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
Poder não é política
Vivemos, nesse 2018, uma dificuldade enorme de entender os posicionamentos dos partidos do ponto de vista da política. A fundo é realmente difícil compreender vários assuntos, mas tem algo na superfície, mais fácil de identificar. Sem este mínimo entendimento muitas pessoas estão escolhendo uma coisa achando que é outra. Isto só tende a uma coisa, dar m... Esse momento também nos dá uma boa oportunidade de autoanálise, pois podemos entender se no íntimo do nosso pensamente está um político ou um idiota, um humanista ou um financista, um democrata ou um fascista.

Basicamente temos dois extremos de vontade, o Coiso num lado, o PT em outro. Ironicamente estão próximos numa coisa, estão focados em Poder, não em Política. Projetos de Poder tendam a ser vazios em 'Projetos de Estado'.
Da esquerda para a direita teríamos mais ou menos o que se segue, segundo discursam os candidatos:
PT - PSOL - Ciro - Marina - Alckmin - Amoêdo - Coiso
Infelizmente para nós, os cidadãos, alvos destes pensamentos, a coisa não é bem assim. O que temos na verdade é, da esquerda para a direita:
PSOL - Ciro - Marina - Alckmin - Amoêdo
E porque não está ali nesta lista o PT? Simples, está focado em Poder relegando a segundo plano a política de Estado.
E porque não está ali nesta lista o Coiso? Simples, porque ele representa a ausência da política, a falta de pensamento de Estado. Ele representa o Fascismo, tacanho, puro e simples.
Então temos na disputa por Poder:
PT - Coiso
Ou seja, se você quer escolher segundo o Poder, tens com quem brigar, praticamente uma guerra de umbigos. Se deseja Poder, lembre-se que este só é legítimo e faz o bem se conquistado honestamente. Mas, se no íntimo de ti mora um fascista arrumando desculpas para se manifestar, ora e reza que o inferno não tarda.
Porém, se quer escolher entre Esquerda e Direita segundo suas visões Políticas, tens candidatos para escolher, muitos.
PSOL - Ciro - Marina - Alckmin - Amoêdo

Basicamente temos dois extremos de vontade, o Coiso num lado, o PT em outro. Ironicamente estão próximos numa coisa, estão focados em Poder, não em Política. Projetos de Poder tendam a ser vazios em 'Projetos de Estado'.
Da esquerda para a direita teríamos mais ou menos o que se segue, segundo discursam os candidatos:
PT - PSOL - Ciro - Marina - Alckmin - Amoêdo - Coiso
Infelizmente para nós, os cidadãos, alvos destes pensamentos, a coisa não é bem assim. O que temos na verdade é, da esquerda para a direita:
PSOL - Ciro - Marina - Alckmin - Amoêdo
E porque não está ali nesta lista o PT? Simples, está focado em Poder relegando a segundo plano a política de Estado.
E porque não está ali nesta lista o Coiso? Simples, porque ele representa a ausência da política, a falta de pensamento de Estado. Ele representa o Fascismo, tacanho, puro e simples.
Então temos na disputa por Poder:
PT - Coiso
Ou seja, se você quer escolher segundo o Poder, tens com quem brigar, praticamente uma guerra de umbigos. Se deseja Poder, lembre-se que este só é legítimo e faz o bem se conquistado honestamente. Mas, se no íntimo de ti mora um fascista arrumando desculpas para se manifestar, ora e reza que o inferno não tarda.
Porém, se quer escolher entre Esquerda e Direita segundo suas visões Políticas, tens candidatos para escolher, muitos.
PSOL - Ciro - Marina - Alckmin - Amoêdo
sexta-feira, 11 de agosto de 2017
Advogados...
Gente, vocês são, resumidamente, um mal necessário além de uma evidência da nossa falta de caráter para o pior como seres humanos. De outra forma são, anacronicamente, um bem possível além de uma evidência da nossa sobra de humilde tentar para o melhor como seres humanos.Desejo esperançoso que a ideia de justiça lhes ocupe mais nesse e no resto dos seus dias do que a semântica fraca e a retórica vazia dos ritos.
Que a justiça que promovem individualmente nos seus atos lhes cubra com seu manto nos seus dias!
sexta-feira, 3 de março de 2017
Toba de quem?
- A Carmem está com os papéis na mão dela e é presidente do clubinho, será que não tem jeito de ela mandar enrolar tudo pro novato enfiar no toba?
Porque não tinha o que fazer, Amarildo Assa Sinado tentou não fazer mais nada. Mas a vida de quem tem sina de ser Assa é a sina de não fazer mesmo, não de se fazer não fazendo. E então escreveu para um deputado, assim, com letras minúsculas, mais comum para os deputados. Ele disse vou comer teu cú, o deputado disse, condizente com o minúsculo da letra. Amarildo então escreveu para ninguém, escrito para não fazer, escrevendo mais do que havia para escrever, mas menos do que poderia. E no escrito escrito por ele havia, depois de toba?, um novo escrito.
- Carmem disse que não é ela quem enrola os papéis.
Amarildo Assa Sinado em sua sina de não fazer, foi fazer nada outra vez. Porém havia mais para escrever, o escrito ainda fazia do modo que estava feito, ruim para um não fazer. Então fez outra escrita logo após o escrito.
- Mas será que Carmem não pode pelo menos escolher o toba?
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Professores em casa
Professores,
Vocês estão fazendo tudo errado, tudo errado. Greve uma ou duas vezes por ano, não adianta, não muda nada, já faz parte do calendário. Vocês precisam fazer outra coisa, desse jeito tudo fica como está.
Terminem esse ano, férias, pandorga, chinelo de dedo... e não voltem ano que vem. Simplesmente não voltem. Um ano inteiro sem dar aulas, vão pra casa, cuidem de outras coisas. Mas não é para ser greve de sindicato, por mais grana, subsídios, direitos, essas coisas, nem negociação de tempo da greve, isso não muda nada, é pra ir para casa de vez. Depois de um ano a gente vai saber se a educação tal como ela é hoje, faz falta. Só isso, um aninho sem aulas pra ver como é que fica. Ninguém mais vai confundir professor com babá por um ano inteiro e vocês podem respirar e pensar.
Vocês podem dar aulas particulares, cobrem um taxinha, vai dar mais que ir até o colégio, vão economizar muita gasolina, roupa... é até ecológico. Podem vender bolinho, pastel, pão caseiro, artesanato... enfim, estudaram, impossível que não saibam fazer outra coisa.
Depois de um ano em casa, obviamente terão pensado, refletido, negociado, criado projetos, identificado todas as obviedades que agora estão mascaradas. Esqueçam os políticos e donos de empresa-escola, quem dá aula são vocês, não dêem por um ano, depois podem dar novamente até assar. Se essa educação tiver feito falta, acertam os ponteiros e recomeçam bem analisados, se ela não faz falta tal como é, um ano dá tempo de propor o início de outra.
Grato pelos anos me alfabetizando, terno abraço a todos!
Vocês estão fazendo tudo errado, tudo errado. Greve uma ou duas vezes por ano, não adianta, não muda nada, já faz parte do calendário. Vocês precisam fazer outra coisa, desse jeito tudo fica como está.Terminem esse ano, férias, pandorga, chinelo de dedo... e não voltem ano que vem. Simplesmente não voltem. Um ano inteiro sem dar aulas, vão pra casa, cuidem de outras coisas. Mas não é para ser greve de sindicato, por mais grana, subsídios, direitos, essas coisas, nem negociação de tempo da greve, isso não muda nada, é pra ir para casa de vez. Depois de um ano a gente vai saber se a educação tal como ela é hoje, faz falta. Só isso, um aninho sem aulas pra ver como é que fica. Ninguém mais vai confundir professor com babá por um ano inteiro e vocês podem respirar e pensar.
Vocês podem dar aulas particulares, cobrem um taxinha, vai dar mais que ir até o colégio, vão economizar muita gasolina, roupa... é até ecológico. Podem vender bolinho, pastel, pão caseiro, artesanato... enfim, estudaram, impossível que não saibam fazer outra coisa.
Depois de um ano em casa, obviamente terão pensado, refletido, negociado, criado projetos, identificado todas as obviedades que agora estão mascaradas. Esqueçam os políticos e donos de empresa-escola, quem dá aula são vocês, não dêem por um ano, depois podem dar novamente até assar. Se essa educação tiver feito falta, acertam os ponteiros e recomeçam bem analisados, se ela não faz falta tal como é, um ano dá tempo de propor o início de outra.
Grato pelos anos me alfabetizando, terno abraço a todos!
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
O pão de mãe
Pra ver como é a vida. Havia na minha mesa, dois pães, aqueles de fazer cachorro quente. Nem sou fã deles, mas compro. Fritei um filezinho de frango que a namorada trouxe, temperei com um tempero urugauio, misturei três salsichas em rodelas, sou chique, parti os pães e comi como um padre. Mas ser humano satisfeito é ser humano insatisfeito. Assim, apreciando a chuvarada com raios atropelando o ar parado, pensava na falta que um pãozinho estaria por fazer mais tarde, quando levantasse da rede para um café com leite. Toc, toc... Entra aí Nardo, tranquilo? Sim, é que eu vim da casa da minha mãe e ela me deu muito pão, te trouxe um pedaço. Agora cá estou, a comer pão de mãe, deitado na rede, a chuva caindo e zzzzz...
Anarquismo reacionário
O anarquismo que não é bagunça e sim a soma de movimentos individuais e independentes parece enfim ter encontrado uma forma para se manifestar com efetividade. Era um conhecido que estava completamente desacreditado, estava. Pelo condão pejorativo do termo, muitos ainda enxergam em si o sujeito reacionário que viam, mas já não se reconhecem tanto assim.
Hoje o Brasil é um país politicamente tão cheio de 'anarquistas' quanto o miserável e comercial futebol brasileiro é cheio de técnicos, juízes e lavagem de dinheiro. A diferença clara está no que antes parecia obscuro. O anarquismo, figura que historicamente trouxe o medo de um descontrole social, agora é justamente o elemento que garante ao manifestante de rua tuiteiro, a dona de casa feicebuquiana, ao gerente baba-ovos leitor de jornal, ao militante partidário engajado nas compras coletivas o escudo que não tinham para lhes polir a coragem. O anarquismo trouxe a preservação da identidade. Estamos indo bem, basta continuar.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
O que é a vida?
Nesses meus anos por aqui, nesse universo pequeno que vai do alcance das vistas até o ar que vira vento em meus pulmões, compreender o que é esse diuturno existir me desocupa o tempo vago. Singular como o coletivo, às vezes paro e penso, esse exercício não remunerado que motiva... cheguei a crer, talvez outra vez comum como todo ser saindo do verde sem saber se apodrece antes de estar maduro, que os motivos em ação cobririam esse estar com tempo e espaço num acidental existir.
Motivações para viver são fáceis de encontrar, existem a cada farfalhar ou cheiro de rosa, surgem mesmo quando queremos ser cinzas. Então, no rascunhar da minha tese, a motivação correu logo para o capítulo dos complementos cotidianos, importantes é claro, deixando vaga a enciclopédia que expande a compreensão, humana, do exercício existir. Vontade, desejo, ambição, perversão, fraqueza, covardia, amor, medo, paixão, tesão, desespero, inspiração, transpiração, carinho, caridade, compaixão... e quase todo um dicionário pode ser citado como termo motivador. Até vendedores de carnê usam eles. Indubitável companheira do viver, da angústia por hoje não digo, paro nesta linha em que a cito. As motivações são amorais, grafando de outra forma, servem morais de qualquer ordem. Porém, existir é transitar entre esses conceitos com algo que os precede, sucede, incorpora, sublima. Há algo puro.
Um dia relendo rabiscos entre o papéis amassados dos conselhos sem destino certo, encontrei uma biblioteca de uma fala só. Foi a palavra mais forte que bebi em toda existência, inclusive a dos imaginários lidos. Entusiasmo. Anotado em rodapé lia-se: Alimenta-se da esperança e é tônico para o sorriso, reconhecidamente o mais poderoso dos remédios. Se me perguntassem hoje o que é a vida, responderia tácito, entusiasmo. Tenho muito respeito por ele, quando me desespero procuro ganhar tempo para respirar e vasculhar a prateleira dos livros pouco lidos, a fim de reencontrá-lo. Um dia esqueci disto, ou ainda não sabia, sem bem me perceber passei a borracha no bloco de anotações vitais, justamente onde estava escrito entusiasmo e, sem fazer vento, morri.
Motivações para viver são fáceis de encontrar, existem a cada farfalhar ou cheiro de rosa, surgem mesmo quando queremos ser cinzas. Então, no rascunhar da minha tese, a motivação correu logo para o capítulo dos complementos cotidianos, importantes é claro, deixando vaga a enciclopédia que expande a compreensão, humana, do exercício existir. Vontade, desejo, ambição, perversão, fraqueza, covardia, amor, medo, paixão, tesão, desespero, inspiração, transpiração, carinho, caridade, compaixão... e quase todo um dicionário pode ser citado como termo motivador. Até vendedores de carnê usam eles. Indubitável companheira do viver, da angústia por hoje não digo, paro nesta linha em que a cito. As motivações são amorais, grafando de outra forma, servem morais de qualquer ordem. Porém, existir é transitar entre esses conceitos com algo que os precede, sucede, incorpora, sublima. Há algo puro.
Um dia relendo rabiscos entre o papéis amassados dos conselhos sem destino certo, encontrei uma biblioteca de uma fala só. Foi a palavra mais forte que bebi em toda existência, inclusive a dos imaginários lidos. Entusiasmo. Anotado em rodapé lia-se: Alimenta-se da esperança e é tônico para o sorriso, reconhecidamente o mais poderoso dos remédios. Se me perguntassem hoje o que é a vida, responderia tácito, entusiasmo. Tenho muito respeito por ele, quando me desespero procuro ganhar tempo para respirar e vasculhar a prateleira dos livros pouco lidos, a fim de reencontrá-lo. Um dia esqueci disto, ou ainda não sabia, sem bem me perceber passei a borracha no bloco de anotações vitais, justamente onde estava escrito entusiasmo e, sem fazer vento, morri.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Quanticando
Estou quase a ponto de escolher algo que sábios, supostos, dizem ser uma escolha no mínimo inteligente. Como já dizia o bom e velho Shakespeare, supostamente, um dia aprendemos que por mais que a gente se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam. A tribo do Rock, suponho, levanta o dedo do meio, gira a mão em quase punho serrado, faz cara de Einstein e manda um eloquente 'foda-se' quando alguém desdenha das suas importâncias. As funkeiras, supõem-se, viram a bunda e mexem, resumem-se a uma bunda quando desimportam do que querem de si.Danço com demasiada elegância para me reduzir a uma bunda. Raciocino lento demais para eloquência de uma língua de fora e sou muito provinciano para andar com o dedo em riste. Ainda, dou exagerado crédito aos créditos dos outros para seguir o conselho do William. Por essas e outras que sou gerúndio, sou a ponto de... Um átimo destes faço a curva, dou a volta, salto como elétron, deixo de apenas estar a ponto de escolher deixar de sofrer.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Sociedade e hipocrisia, quando uma largará a mão da outra?
Publicado em 23/5, editei o artigo em 15 de Junho.
O Brasil resolveu endurecer o combate aos viciados. Sim, aos dependentes. Os traficantes obviamente sempre existiram e provavelmente sempre existirão, é uma questão de demanda, o ser humano sempre forneceu demanda, provavelmente sempre demandará. Mas o Brasil -você, eu, papai, mamãe, tua tia aí do lado- resolveu estampar uma bandeira longa como uma faixa, onde se lê: Sou hipócrita e burro ao mesmo tempo, não quero pensar, apenas enfio minha cabeça na toca e tudo parece bem.Enquanto o Brasil -nós- endurece o combate às drogas que consideramos ilegais a cerveja será vendida dentro de estádios e a seleção brasileira de futebol será uma representante da ganância sobrepujando a inteligência.
No que se refere ao transporte 'coletivo'. É uma grande vergonha cobrar de alguém para que o indivíduo vá até um lugar servir um babaca que enche o rabo de dinheiro sem se importar com quem o sustenta. Se você é empresário, toma vergonha, se reúne com o povo que te sustenta trabalhando diariamente na empresa e cobra do governo melhora e isenção no transporte público. Se o governo não vê isso, é porque o empresário é conivente. Afinal meu caro, ser empresário é primeiro ser uma ponte entre uma necessidade e uma solução, mexe essa bunda.
A vida anda assim, talvez como desde sempre, só que agora os bois tem nome e as coisas também, não dá mais pra fazer de conta que está bem. Senadores e Deputados obviamente são patrocinados demais para mudar esse rumo, defendem ideias afastadas do bem comum. Ao que parece o poder judiciário brasileiro julga por semântica, se o indivíduo ou empresa tem dinheiro, consegue escapar na base do 'mas o que eu quis dizer é outra coisa...' e as coisas se resolvem. No executivo precisaríamos contratar mais profissionais do que amigos e parentes para fazer as coisas de forma mais -sendo redundante- profissionais. A presidenta Dilma, chefe executiva da nação, tem poder para desfazer isso, mas não creio que ela tenha levado consigo nem inteligência nem coragem para tanto.
sábado, 18 de maio de 2013
Carroceiro estivador - No mundo das coisas
Meu problema é juntar coisas. Vivo a juntar mais do que de fato quero, desejo. Junto coisas, um catador de memórias provido de seu infinito rascunho e um oceano de tinta para canetas. E atulhado de coisas já não me vejo, nem ademais me reconheço. Junto inúmeras coisas. Depois jogo fora.
Muito mais do que havia é o que vai. As coisas jogadas fora, em cada novo agora, sempre parecem menos do que tudo que foi fora. Falta razão em pensar assim, mas esse é um sentimento e como tal só faz sentido desprovido de lógica. Fica pálido de sentidos o campo que estava cheio, nem força tem para ser árido. Deixei vazio.
Mas a vida me revela. Silente e fria no seu impassivo propósito de me refazer, a vida limpa a superfície do espelho que leva para o fundo do casulo onde estou. Dona de si, portanto diferente de mim, redesenha meu destino a seu tempo, seja um dia, hora, ano. Sem as coisas que havia juntado e jogado fora penso ser aquele que é sem espaço para coisas juntadas. Mas a vida persiste e me desengana, abre espaços. Pois é sempre esse sempre, quando estou vazio retorno a mim mesmo. Junto coisas.
Muito mais do que havia é o que vai. As coisas jogadas fora, em cada novo agora, sempre parecem menos do que tudo que foi fora. Falta razão em pensar assim, mas esse é um sentimento e como tal só faz sentido desprovido de lógica. Fica pálido de sentidos o campo que estava cheio, nem força tem para ser árido. Deixei vazio.
Mas a vida me revela. Silente e fria no seu impassivo propósito de me refazer, a vida limpa a superfície do espelho que leva para o fundo do casulo onde estou. Dona de si, portanto diferente de mim, redesenha meu destino a seu tempo, seja um dia, hora, ano. Sem as coisas que havia juntado e jogado fora penso ser aquele que é sem espaço para coisas juntadas. Mas a vida persiste e me desengana, abre espaços. Pois é sempre esse sempre, quando estou vazio retorno a mim mesmo. Junto coisas.
domingo, 12 de maio de 2013
Desentraves - Resumo e Discuso
- Resumo
Arrumei a janela do quarto. Já deixava sempre aberta. Fechar era fácil. Enroscava para abrir. Todos os dias a mesma chatice. Praguejei o trilho. Está arrumada. Desmontei e apertei um parafuso. Ele descia e travava a roldana. Ficou quase perfeita. Deixei aberta. Em breve precisaria mexer lá. Choveu. Pude fechar sem medo. Quando quiser abro. Estou livre.
- Discurso
Choveu muito, mesmo demais, chuva a sério, acredite. Chuva dessas de verão que quando começam passam rápido e molham muito. Essa era uma chuva de verão com crise de identidade, demorou a passar, achava que era de inverno. Mas só no tempo, na intensidade muita água, de verão mesmo.E a janela lá, aberta. Eu nunca tive problemas com essa janela, meu desamor era com o trilho, sempre culpei o trilho. Olhava para ele e desfazia até o jeito que fizeram a janela, não pela janela, pelo trilho.
Sempre que acontecia isso, a chuva, se era dessas que pensam que são inverno sendo verão, pior se houvesse vento porque sem vento eu nem iria, se eu lembrasse é claro, corria para fechar a janela. Ela fechava. Assim, era feliz com chuva e frio, porque a janela fechava. Mas quando parava a chuva e voltava o calor... abrir a janela, ela não queria, ou não conseguia. Boa janela, mas o trilho, enroscava, sempre enroscava. Às vezes travava a janela a meio caminho, ficava atravessada, nem ia nem vinha. Prensada entre a parte superior do quadro e ele, o trilho, o traste do trilho.
Suor de molhar a ribana da gola da camiseta. Desmontei a janela, só para ver o trilho, que emperrava e eu não via o porque de um trilho que não passava de um perfil de alumínio quadrado sem arestas, emperrar. A meio caminho já nem queria mais ver o trilho, pensava em outro, comprar outro, fazer outro, criar outro, solicitar uma pesquisa endoutorada da universidade para encontrar o paradoxo do trilho que não serve para trilhar. Quase cai um parafuso, não do trilho, mas dos fixadores da roldana, do quadro de vidro da janela, que corre sobre o trilho. Ele descia e enroscava no agora inocente e antes infernal trilho.
Agora se chove fecho e se o sol aquece, abro. Saindo do trilho fiquei livre.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Intervalos - 2
sábado, 2 de março de 2013
Geanine, menina!
"...e então, ainda com o coração batendo forte pela última queda, sorriso e apreensão na mesma face, já sabendo que outra queda chegaria a qualquer momento, ansiava com os braços abertos de quem se lança com o medo, ou seja, acompanhada dele, coragem em dobro, cinco anos apenas, mantinha-se sentada na planta dos meus pés e fitava meus olhos querendo adivinhar o momento em que a soltaria em queda livre, era novamente surpreendida, novamente a suspendia, quase em êxtase descia daquele metro de altura que minhas pernas alcançavam apoiadas pelo corpo deitado sobre as costas, gargalhava e logo se desafiava novamente, vencendo a apreensão da nova queda, buscando adivinhar o momento antes de ser surpreendida, vivia cada ciclo intensamente..."
(recorte de memórias da infância de uma menina amada e feliz)
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
O espelho entre parênteses
Você está velho.
Se é mulher ou homem, não importa. Está ou vai ficar lentamente gordo barrigudo ou magro tripa seca.
Isso significa que o tempo passou e te deixou de presente a idade. Você é biologicamente velho. Isso aconteceu quando você começou a negar que está velho. Aconteceria de qualquer forma. Provavelmente você está ou vai ficar fisicamente deformado e debilitado.
Isso também significa que viveu bastante. Mais do que o tempo em que o corpo jovem se recupera de tudo.
Você está velho.
E pode viver com vigor.
Pode viver sem ser um velho chato, egoísta, medíocre, tacanho, ridículo, covarde... se aceitar isso de estar velho como, apenas, uma limitação física e usar o tempo vivido não como um peso carregado, mas como uma força adquirida com o saber retirado da experiência de vida.
Você está velho, está vivo.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Abandonando o navio
Ando cansado, muito. Não de hoje, mas especialmente nesses dias. Há muito sinto um peso agarrado aos ombros, como um punhado de braços que lançam mãos firmes e decididas a manter o peso como lastro. De cansado, querendo dizer o que mais seja verdade, quase não ando.
E é de ser que cansei. Não de ser o que sou, mas de não ser o que intimamente sou. E sou como muitos que nunca serão mais do que uma proposta ou promessa, então não é de prometidos que cansei. Há um mundo desencontrado que me faz cansar de ser. Um se saber não ser, um menos do que o porvir, talvez quase um devir, esse nem bem sim, nem bem não.
Quando abandonar essa Nau que não piloto, que não comando, que não levo a singrar as águas que miro, descansarei. Por certo que sim, descansarei inclusive de ser. A bandeirola da Nau é o que pesa nela, essa paradoxal bandeira pirata, avessa, livre, num mundo de fétidos piratas, avessos e sempre livres. Quero que a Nau, se eu não puder dela, me abandone.
Aos poucos, quando deixo de ser, dou movimento ao verbo abandonar. Quando ele for gerúndio começarei a sorrir um futuro que aceitará com maior afeição o projeto vida. Sem ser, sem lutas, sem bandeiras, sem esperas, sem cadeias.
E é de ser que cansei. Não de ser o que sou, mas de não ser o que intimamente sou. E sou como muitos que nunca serão mais do que uma proposta ou promessa, então não é de prometidos que cansei. Há um mundo desencontrado que me faz cansar de ser. Um se saber não ser, um menos do que o porvir, talvez quase um devir, esse nem bem sim, nem bem não.
Quando abandonar essa Nau que não piloto, que não comando, que não levo a singrar as águas que miro, descansarei. Por certo que sim, descansarei inclusive de ser. A bandeirola da Nau é o que pesa nela, essa paradoxal bandeira pirata, avessa, livre, num mundo de fétidos piratas, avessos e sempre livres. Quero que a Nau, se eu não puder dela, me abandone.
Aos poucos, quando deixo de ser, dou movimento ao verbo abandonar. Quando ele for gerúndio começarei a sorrir um futuro que aceitará com maior afeição o projeto vida. Sem ser, sem lutas, sem bandeiras, sem esperas, sem cadeias.
sábado, 29 de dezembro de 2012
Ressaca
Seria legal se na noite de final de ano todos bebessem apenas água.
Nem consigo imaginar o quanto mais haveria de paz no ano seguinte se a consciência fosse o pé direito numa entrada de ano novo. Beijar na boca é bom, imaginem fazer isso sem estar anestesiado. Fazer propósito é bom, imaginem fazer propostas de vida que sejam mais que promessas de churrasco em mesa de boteco.
A anestesia é um grande caminho para a ignorância, mãe da fuga para o não sofrimento. Encher a cara é uma forma não ilegal de anestesiar-se. Então, já que a maioria vai ficar bêbada para esquecer o tanto de m... que fez durante o ano que finda, para comemorar as vantagens que obteve sobre os outros enquanto alguns simplesmente irão comemorar por não terem sido muito expropriados por gente que não presta mesmo, um conselho:
"Escolham uma bebida melhorzinha. Fujam das porcarias extremamente comerciais, bebam menos em quantidade e melhor em qualidade. No ano seguinte a ressaca e o arrependimento pelo réveillon vazio de propósitos doerão menos. Não se preocupem com estilos, qualquer bebida serve, nesse caso."
Se alguns conseguirem fazer isso neste final de ano, no próximo a vida moderna será mais tolerável e talvez até mais interessante e verdadeira.
Com carinho, a todos, saúde e paz!
Nem consigo imaginar o quanto mais haveria de paz no ano seguinte se a consciência fosse o pé direito numa entrada de ano novo. Beijar na boca é bom, imaginem fazer isso sem estar anestesiado. Fazer propósito é bom, imaginem fazer propostas de vida que sejam mais que promessas de churrasco em mesa de boteco.
A anestesia é um grande caminho para a ignorância, mãe da fuga para o não sofrimento. Encher a cara é uma forma não ilegal de anestesiar-se. Então, já que a maioria vai ficar bêbada para esquecer o tanto de m... que fez durante o ano que finda, para comemorar as vantagens que obteve sobre os outros enquanto alguns simplesmente irão comemorar por não terem sido muito expropriados por gente que não presta mesmo, um conselho:
"Escolham uma bebida melhorzinha. Fujam das porcarias extremamente comerciais, bebam menos em quantidade e melhor em qualidade. No ano seguinte a ressaca e o arrependimento pelo réveillon vazio de propósitos doerão menos. Não se preocupem com estilos, qualquer bebida serve, nesse caso."
Se alguns conseguirem fazer isso neste final de ano, no próximo a vida moderna será mais tolerável e talvez até mais interessante e verdadeira.
Com carinho, a todos, saúde e paz!
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
O romântico obsoleto
É um que perdeu a serventia. Elas já se cansaram de ornar janelas. Nem adianta dedicar isto de 'espere por mim morena, espere que eu chego já'… Morena esperando é que não há e morena que se proponha a esperar não haverá tão cedo.
Nos trejeitos que se propunham alguns, esparsos e insistentes, a fazer vênias e mesuras para maior facilidade das mulheres, vê-se agora um tanto de enfado. Cruzar a rua um pouco a frente dando resguardo a mulher, frágil ou não, acompanhando-se ou se fazendo acompanhar, já não é sinal de cuidado e, antes, é sinal de machismo. Enfim elas se sabem tão ou mais fortes que nós. Caminhar guardando a beira da rua para si, onde há mais perigo, onde respinga mais água, onde há mais fumaça e poeira, já passou de ser bem visto. E olha que a roupa do homem é mais fácil de lavar. Somos iguais, afinal. Subir pela escada um degrau para trás e descer um degrau adiantado, apoiando e protegendo quem tem vida mais difícil no caminhar pelo salto alto é um falar já quase esdrúxulo Mas também haveremos de convir que agir assim pode ser uma tentativa maquiada de inferiorização da ala feminina, tudo pode ser maquiagem.
O tempo e o espaço de hoje compõem uma atmosfera diferente do que se via há trinta anos e em outro ecossistema. E esse movimento individualizante da autossuficiência e equiparação de forças encontra eco e apoio por todo o lado. Com mais frequência mesmo é no comércio mais capitalista. Porém, senão consumidores, somos o quê? Aliás este sistema de comércio usufrui o melhor da igualdade. É rápido, prático e suficientemente substituível produzindo tudo o que falta para garantia da independência tão almejada.
Enrijecidos pela insuficiência, fragilizados pela ignorância, continuamos pensando nessa incompreensão da equiparação entre os sexos. Aí dá vontade é de comprar uma boneca inflável. Pena que esta tem aparência fria e falta de mudanças de humor, um ingrediente que de alguma forma dá folga a rotina. Os homens vindouros que melhorem a tecnologia se quiserem essa via.
Já para quem na moeda não é mais cara, se houvesse algum cursinho para modernização de indivíduos mal acostumados a ritos de gentileza ou, de repente, alguma professora paciente...
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Inerências retóricas
escrito e dinâmico * A razão é a busca dela. Está sempre entre seu impulso e sua descoberta. ..............................
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O Estado no Brasil é inimigo do cidadão. O paradoxo é ser o cidadão brasileiro o maior apoiador do Estado Inimigo. A culpa? Interpretaç...
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...vontade mesmo aquele sentimento maior que nasce livre no peito ?humano? nesse ano que escolhem matar por asfixia negando ar só tenho a d...
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Saúde é parte vital do todo. Educação é parte fundamental do todo. Economia é parte muito importante do todo. Democra...







