domingo, 6 de março de 2011

Adeus

Hoje
Nesse dia malfadado
Entreguei dos meus adeus
O mais distante desejado
Senti
O que não havia esperado
Sem nem ver os olhos teus
Um sair sem gosto e gelado

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Um brinde a burrice

Dedo nas teclas
palavra espalhada.
Mãos na cabeça
vida ceifada.
Poder só de um
humanidade acabada.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O portal e Perla

Perla perguntou se eu conhecia a dor, aquela que contou ter descoberto também nos que já sofrem a falta do mínimo para viver. Chamou de angústa existencial e disse que todos possuem, quero dizer, em alguns momentos são possuídos por ela. Mas o nosso ônibus amarelinho que pára até fora ponto, esse que dá ar fresco forçado para privilegiados, fez força para a direita e venceu a inércia da reta. Essa curva descobriu o mar de um lado e um paredão cinza cor de pedra do outro. Nos olhos dela, inundados de horizonte, vi o portal do morro das pedras me isolando da urbanidade. Chegados à nossa realidade paralela de paraíso, quis reviver o transe único do horizonte bebendo naqueles olhos. Assim é que descobri o quanto pode ser intensa a angústia. Ao chegar em casa, sem poder enxergar os dela, cerrei os meus.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Tagarela

Sou dos parvos que não sabem o silêncio.
Amo e desgosto notadamente.
Já não quero saber explicar isso.
Sei como desgosto e quanto amo.
Sigo parvo e descabido.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Bolsa de homem

Muitas vezes penso que sou um dos heterosexuais mais gays do meu tempo. Hoje vejo umm homem, comum, somente um homem, no mesmo espaço móvel em que estou. Ele carrega uma bolsa, dessas de se carregar pendurada por uma tira no colo. É velha e bem gasta. A minha é nova e não sinto inveja. Apenas gosto da bolsa dele, da calça xadrez, do jeito de ser comum. Não é feio nem bonito. É maior que eu. Comum, bem comum. Tudo que pensei ser de especial, caiu para minha terra. Nem cheguei a ser um homem comum ainda. Sou imaginação a mais, existência a menos. Estou bem com isso, com esse homem comum que vejo, que inquiro em minha mente. Quem olha para ele, além de mim? O que nele chama aquele ou aquela que olha? Será mais possível agora que eu me olhe melhor? Sei apenas que neste instante me vejo mais real, por olhar para o chão, voltado para mim, somado do ter visto o homem e a sua bolsa.

domingo, 21 de novembro de 2010

amenidades

Ontem caminhei
trilha, conversa
uma lagoa com peri
uma praia com pedras
Hoje estou aqui
madrugada, silencio
um copo com café
um homem com perdas
Amanhã serei outro
ônibus, trabalho
uma baía com barcos
um motor com gasolina

Ainda

como sou do artesanato
faço com as maos
e sonho com o dia
que farei somente
com os dedos da minha mente

Inerências retóricas

escrito e dinâmico * A razão é a busca dela. Está sempre entre seu impulso e sua descoberta. ..............................