Aqui está o tergiversar ininterrupto que os intervalos empurram dos meus silêncios para este caderno não-papel.
sábado, 20 de abril de 2013
Sobre a resignação
Ao que passa, o tempo, deixando nossos viços mais escassos, vejo-nos em reflexo. Para tanto somos quase um mesmo, se não ser, pelo menos caminho. Alguns que optam pelo profundo me agradam. Assim dual me escolho diariamente entre ficar velho ou ridículo.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Asas nos pés
Sê rebelde passarinho.
Anda!
Liberta-te dessa prisão.
Lê um livro, saiba um livro.
Sonha!
Lê um livro, saiba um livro.
Liberta-te dessa prisão.
Anda!
Sê rebelde passarinho.
Ensina os homens a voar.
Anda!
Liberta-te dessa prisão.
Lê um livro, saiba um livro.
Sonha!
Lê um livro, saiba um livro.
Liberta-te dessa prisão.
Anda!
Sê rebelde passarinho.
Ensina os homens a voar.
sábado, 2 de março de 2013
Geanine, menina!
"...e então, ainda com o coração batendo forte pela última queda, sorriso e apreensão na mesma face, já sabendo que outra queda chegaria a qualquer momento, ansiava com os braços abertos de quem se lança com o medo, ou seja, acompanhada dele, coragem em dobro, cinco anos apenas, mantinha-se sentada na planta dos meus pés e fitava meus olhos querendo adivinhar o momento em que a soltaria em queda livre, era novamente surpreendida, novamente a suspendia, quase em êxtase descia daquele metro de altura que minhas pernas alcançavam apoiadas pelo corpo deitado sobre as costas, gargalhava e logo se desafiava novamente, vencendo a apreensão da nova queda, buscando adivinhar o momento antes de ser surpreendida, vivia cada ciclo intensamente..."
(recorte de memórias da infância de uma menina amada e feliz)
sexta-feira, 1 de março de 2013
cores e multinós - corujinhas macrame
(revisado)
Estou em 2020, entre a foto e hoje há tempo, onze anos... Em 2009 comecei a criar esse conjunto. Nenhuma delas me fitou da mesma forma, todas sublimaram meus imperativos e afirmaram sua personalidade. Superlativo? Não creio. Todas, antes de receberem o espelho de suas almas, me levaram tempo, que ao contrário do que pensam os tolos não é dinheiro e sim, vida. Em nenhum outro momento, da minha, expressei tão intimamente um ser que me habita e sem pudor se reconhece um artesão que faz arte. Me reconheci por esses olhos, me vi intimamente a partir deles.Quando morava em Cruz Alta e frequentava, nem sempre estudei, o colégio Gabriel Miranda, ainda oitava série, aprendi a fazer macramé. Aqui uma confissão, amo de tal modo essa arte, sou tão seletivo nos momentos em que me dedico a ela, que se não tivesse aprendido a fazer mais nada na vida, apenas a ordenar nós em formas, fecharia meus olhos num final feliz.
Nesse painel uma coletânea de vinte e quatro corujinhas, representam quase trezentas horas de trabalho. Cada confecção trouxe um lampejo de consciência. Nenhuma delas mereceu uma plaquinha de produto finalizado, para mim, todas nasceram, muitas voaram.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
O espelho entre parênteses
Você está velho.
Se é mulher ou homem, não importa. Está ou vai ficar lentamente gordo barrigudo ou magro tripa seca.
Isso significa que o tempo passou e te deixou de presente a idade. Você é biologicamente velho. Isso aconteceu quando você começou a negar que está velho. Aconteceria de qualquer forma. Provavelmente você está ou vai ficar fisicamente deformado e debilitado.
Isso também significa que viveu bastante. Mais do que o tempo em que o corpo jovem se recupera de tudo.
Você está velho.
E pode viver com vigor.
Pode viver sem ser um velho chato, egoísta, medíocre, tacanho, ridículo, covarde... se aceitar isso de estar velho como, apenas, uma limitação física e usar o tempo vivido não como um peso carregado, mas como uma força adquirida com o saber retirado da experiência de vida.
Você está velho, está vivo.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Você é meu verbo amar!
Quero encontrar no finito acordar
e em todas as manhãs que seguem o sol
o que súbito conheci
quando já aceitava viver com sonhos menores
Vigio cada noite como quem vela o sono,
desejando que sejam eternas no renascer diário
a alegria, a beleza, a paz de ser e estar vivo,
a vontade, a gentileza, a força de mover os sonhos,
a esperança, a delicadeza, a atenção dada a cada passo seguido,
a intangível grandeza que você me deu naquele dia,
levando-me para um novo significado e lugar,
quando sorriu uma face chamada amor
numa janela que se abria
tão indescritível e poética.
Quando minhas auroras terminarem
levando por fim os restos do que fui
encontrado o que conheci em ti
para quem permanecer com sonhos vivos
em que manhãs sejam poesia
meu ser será então imaterialmente vivo
relembrando a maravilha da tua eterna existência.
Poema inspirado num comentário para ela:
Quero encontrar em todas as manhãs, a alegria, a beleza, a paz, a vontade, a gentileza, a força, a esperança, a delicadeza, a atenção, a intangível grandeza que você me deu nesse dia, quando me sorriu uma face chamada amor tão indescritível e poética. Você é meu verbo amar!
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Abandonando o navio
Ando cansado, muito. Não de hoje, mas especialmente nesses dias. Há muito sinto um peso agarrado aos ombros, como um punhado de braços que lançam mãos firmes e decididas a manter o peso como lastro. De cansado, querendo dizer o que mais seja verdade, quase não ando.
E é de ser que cansei. Não de ser o que sou, mas de não ser o que intimamente sou. E sou como muitos que nunca serão mais do que uma proposta ou promessa, então não é de prometidos que cansei. Há um mundo desencontrado que me faz cansar de ser. Um se saber não ser, um menos do que o porvir, talvez quase um devir, esse nem bem sim, nem bem não.
Quando abandonar essa Nau que não piloto, que não comando, que não levo a singrar as águas que miro, descansarei. Por certo que sim, descansarei inclusive de ser. A bandeirola da Nau é o que pesa nela, essa paradoxal bandeira pirata, avessa, livre, num mundo de fétidos piratas, avessos e sempre livres. Quero que a Nau, se eu não puder dela, me abandone.
Aos poucos, quando deixo de ser, dou movimento ao verbo abandonar. Quando ele for gerúndio começarei a sorrir um futuro que aceitará com maior afeição o projeto vida. Sem ser, sem lutas, sem bandeiras, sem esperas, sem cadeias.
E é de ser que cansei. Não de ser o que sou, mas de não ser o que intimamente sou. E sou como muitos que nunca serão mais do que uma proposta ou promessa, então não é de prometidos que cansei. Há um mundo desencontrado que me faz cansar de ser. Um se saber não ser, um menos do que o porvir, talvez quase um devir, esse nem bem sim, nem bem não.
Quando abandonar essa Nau que não piloto, que não comando, que não levo a singrar as águas que miro, descansarei. Por certo que sim, descansarei inclusive de ser. A bandeirola da Nau é o que pesa nela, essa paradoxal bandeira pirata, avessa, livre, num mundo de fétidos piratas, avessos e sempre livres. Quero que a Nau, se eu não puder dela, me abandone.
Aos poucos, quando deixo de ser, dou movimento ao verbo abandonar. Quando ele for gerúndio começarei a sorrir um futuro que aceitará com maior afeição o projeto vida. Sem ser, sem lutas, sem bandeiras, sem esperas, sem cadeias.
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