segunda-feira, 11 de maio de 2009

pró-forma feliz

Nos dias que seguiram, pelas prédicas que haviam, singrei a única via que vi. Com a falsa parcimônia escolhida para escudo e escondendo a limítrofe vontade de implodir num fulminante apagar-se fiz um passeio pelo cascalho novo e pontiagudo que ladrilhava o caminho. Pisei sem lembrar o couro que servia como único solado sob meus pés.

Assomado de desditos íntimos que colhiam decretos de não faça segui desenvolto de dores com o fim primeiro de ganhar cadência na caminhada. A patrulha das minhas verdades quase descarrilhou a falsa coragem colhida para ser o combustível da viagem.

Visto que um aceite valida no mínimo a discussão de um contrato, rubriquei um recibo de vá em frente. O sorriso comprado com o movimento acendeu a foto antecipada de um momentâneo fazer-se feliz.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Gripe econômico-individual

A contaminação – Se dá pelo nascimento do indivíduo como cidadão. A partir do momento que o ser até então humano recebe uma identificação econômico-governamental, o contato direto com qualquer sistema econômico torna-se dispensável. O contágio nos casos de isolamento de indivíduos identificados se dá pela sua participação em listas ou estatísticas.
A doença – Dá ao número-pessoa uma possibilidade maior de sobrevivência. Este fato inicial acontece porque o ser antes natural já não representará riscos através do desconhecimento da sua existência para o meio econômico-global. A seguir, através de peneiras sucessivas e incesssantes, os número-pessoas são descartados por não contribuirem para o status quo, ou alimentados para participar das seleções de resistência até que poucos representem o símbolo econômico-ideal. Por ser um vírus instalado há muito tempo, a doença só se extingue através da deleção do número-pessoa. O maior risco identificado até agora é a extinção dos indivíduos naturais através da contaminação incontrolável dos número-pessoas.
A diagnose – Quase podemos afirmar que esta crise é só uma gripe do grupo senso-comum e do tipo econômico-individual que por séculos é mal tratada. Os sintomas para a identificação são a utilização do ícone bode-expiatório, a preservação dos símbolos econômico-ideal e a verborragia sobre as possibilidades de utilização do mesmo sistema.
Não é possível afirmar que a cura não seja possível através da extinção do sistema econômico-global como referência e a utilização de outros conceitos como primeira conduta.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A identidade reflete a realidade

Em 2010 saberemos como é nascer americano. Finalmente nosso país se consolidará como a maior potência da américa do sul e uma das maiores do hemisfério sul. Nosso presidente será mundialmente reconhecido como o representante da nova ordem social. Teremos uma mulher eleita para presidir o país a partir de 2011. Nossos vizinhos fornecerão a mão-de-obra barata suficiente para que possamos circular mais pelas nossas belezas naturais.
Os brasileiros farão pouco caso de países com escassez de riquezas como petróleo, minerais, madeira e água. A realeza dos burgos estabelecidos pelo mundo todo pagará fortunas para beber água de côco em algumas de nossas praias. A pobreza da nossa vida receberá um toque mais pitoresco, transformando favelas em comunidades típicas, com culturas tribais de raízes culturais diversas. Nosso comportamento, nossa poesia, nossa música e nossa alegria receberão uma belíssima padronização, a fim de não confundir nossa diversidade com desorganização.
Quando o calendário marcar o ano de 2020, sem que tenhamos percebido, já não seremos o Brasil que hoje não conhecemos.

Totalmente utilizado

Meus dentes cairão. Serei um homem que consome sopas e cremes. Se chegar à plena realização, será assim. Sem dentes darei meu mais prazeroso sorriso.

Quanta alegria se conseguir perdê-los todos sem esforço para que caiam. Ah! Um caminhão cheio de moedas não pagaria um dos dentes. E no açoite sem dor de cada perda, um ganho contado na decrescência. Do cem ao um faz mais sentido contar.

Quando chegar ao começo abrirei meu pote de gotas de vida entalhadas na feitura dos dias e gravadas em cada memória colhida. Enfim serei a minha soma.

domingo, 3 de maio de 2009

Andando

Nos passos que de fato dou
Na vida que de fato sou
Naquilo que fiz me saber
Nos dias que alguém quis ouvir

Com as cores do que fui e vi
Supondo o seguir ser uma estrada
Sou uma esperança que anda
E disso nisso vivo

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Diagnóstico

Vez por outra cometo um insanidade
Por transformar em versos o que me cala
Com o desejo de beber nos olhos da verdade
O desenho de um beijo surpreendido em meio a sala

Nesses vôos sinto o frio da altura e o toque da claridade
Pois sou alma que do corpo só não leva a fala
Vejo quem anda feliz pelo seio da cidade
E busco teu viver para em ti sonha-la

Vala comum

Primeiro de Maio e Dia do Trabalhador são como juntar num mesmo balde o trabalho e a dor. Sem delongas e análises profundas creio que posso fazer deste comentário o balde que mistura o homem e o açoite.

Se fosse possível para quem emprega fazer produção com o labuteiro, a briga pela excelência em manufatura nos transformaria em máquinas automáticas. Se não somos mais robotizados é porque esta é uma limitação humana. Sob altas pressões quebramos e exigimos manutenção cara. Sem contar que o acúmulo de mão-de-obra junta muita sujeira.

Ou alteramos a forma de fazer o que precisamos para viver bem suprimindo a dor de fazer o que supostamente é bom através da produção em excesso, ou morreremos sem saber que como animais isto que temporalizamos não pode se chamar de vida.

Não quero cair na vala comum de confundir a prazerosa ação de fazer coisas, que é dignificante, com a lamuriosa pecha de nomear exploração e alienação como trabalho.

Inerências retóricas

escrito e dinâmico * A razão é a busca dela. Está sempre entre seu impulso e sua descoberta. ..............................