sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Desocupados incomodam ocupados e o verso idem.

Só com tempo para estudar as letras é que se escreve receitas. Será que alguns termos já não passaram da validade?
É fácil para mim que exerço uma tarefa quase de ofício, empenho força de trabalho neural e acumulo riqueza imaterial, analisar alguém que não se dê horas a pensar como um desocupado. Simples também é para alguém que segura na concha de uma pá cheia de pedras dizer que um que se dá a pensar sentado é um desocupado. Este empurra de um que pensa como deve ser feito e o outro que faz o que precisava ser feito, afora um punhado de tapas e palavrões, já cansou a beleza da donzela que desfila o pensado e o feito no mesmo pano. Assim nem a donzela, nem o da pá, nem o da caneta se dá ao trabalho de forjar outro conceito para a serventia e a ocupação.
O movimento e a paralização sempre haverão de incomodar por um lado o que está parado e por outro o que transita. Desocupação é um termo que pouco combina com o mundo moderno. Há para todos os dias tantos apelos e tantas regras que até para desocupar-se é preciso empenho. Parece que o mundo já andou bastante. Esta síndrome de não se dar tempo para quase nada, parece um conceito atabalhoado. É tanta a ocupação que os desocupados terminam o dia cansados de tanto se desviar do ocupados que se queixam de carregar os outros.
No ritmo que tentamos fazer com que mundo mais avance, parece que nos atrapalhamos, pulamos processos, deixamos de ver mais do que olhar. Assim é possível que acabamos por seguir sim, mas para trás. Parece que estamos desocupados de promover as mudanças e muito ocupados para perceber o regresso.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Vou especular no bolso

As oportunidades estão realmente à vista. O mercado está num claro movimento de falta de liquidez. O sistema financeiro não possui mais condições de remunerar aplicações antes tão rentáveis como a caderneta de poupança. Agora posso ganhar algum dinheiro alimentando o setor produtivo, como por exemplo a indústria automobilística.
Se a propaganda é o gatilho da arapuca, vou aqui disponibilizando minha capacidade de investimento para estar ajudando as grandes indústrias para que elas possam estar fazendo sua passagem da crise e estar ajudando o sistema produtivo a comprar jatinhos.

Tenho para emprestar:
R$20,00 - pagamento em 5 anos - 01 ano de carência + 04 parcelas anuais. Apenas 3,5% a.m.
R$30,00 - pagamento em 3 anos - 06 meses de carência + 05 parcelas semestrais. Apenas 4,5% a.m.
R$45,00 - pagamento em 12 meses - 01 mês de carência + 11 parcelas mensais. Apenas 6,5% a.m.

A habilitação para este crédito barato é fácil e quase sem burocracia. Basta entrar em contato por aqui mesmo e providenciar garantia real de duas vezes o valor do empréstimo indicado, mais o plano social da companhia para os próximos dez anos. No momento só disponho linhas de crédito para empresas do ramo automobilístico.
Aproveitando para dar um palpite, parece que o governo brasileiro poderia montar um plano de garantia real para que aqueles que guardam seu dinheiro em cadernetas de poupança, pudessem, sem ser usurpados, oferecer dinheiro para estas grandes empresas com juro menor do que nos cobram e maior do que nos pagam.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A pausa

Desta margem avisto a bruma
Pouco dentro dela vejo
Há um cais em madeira
Um destino ali flutua

Observo fios brancos como algodão
Gaivotas tecem um manto
Mãos o lançam para o alto
Um corpo se veste de névoa

Encontro os olhos do sonho
Fico preso ao fio que me guia a visão
Sou apenas o que vê a paisagem
Aquela margem se afasta

Volto ao porto das lembranças
Procuro a pintura que houve
O tempo ensina o sabor da espera
A bruma esconde o futuro

A Varig americana

Avião sem combustível não voa. A General Motors sabe disto há tempo. Até eu sabia. Aviões bebem muito combustível. Falar de avião é bacana, tem mais corpo do que falar de carro. Os executivos da GM usam muito os aviões. Agora mesmo tem jatinho de luxo sendo encomendado por executivo de muita empresa deficitária. Jatinhos são mais rápidos do que carros, inclusive para pedir esmolas, um novo e milionário negócio que merece altos investimentos.
Confuso entre aviões e carros me dei conta que, o governo brasileiro por muitas vezes deu dinheiro para a VARIG, aquela empresa de aviação que nunca dava retorno, a não ser para os comandantes. Um dia cortaram a verba pública e o mercado aéreo brasileiro recebeu muitas novas empresas. Mais brasileiros voam hoje do que quando a gloriosa Varig existia.
Parece que como não temos mais o Itamar como presidente. Se a GM fechar por ser vendida, partida, dissecada, falida, o que não me importa, talvez empresas como a Gurgel, Puma e outras, brasileiras, possam ocupar espaço com o mesmo dinheiro que o governo daria para a beberrona GM.
Se o dinheiro fosse meu...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O valor determinado

Se a informação veiculada por meios de comunicação, mais a produção de aço utilizada, mais os cargos políticos estratégicos de cidades ou países, que atingem direta ou indiretamente milhões de pessoas no mundo, são elementos dominados por quatro ou vinte bilionários, como é possível acreditar que o que sabemos sobre os movimentos financeiros atuais são mesmo para não deixar menos rico o menos rico ou menos média o classe média.
Excluí da lista o pobre porque sou tendencioso e me parece que este perde sempre. É como dizer que a sina do pobre é alimentar e manter algum equilíbrio nas castas menos baixas. Assim como a sina do média é manter o pobre afastado e o condomínio limpo para o rico. Tanto quanto a sina do rico é alimentar o sonho impossível de qualquer um vir a ser um bilionário poderoso. Este último sonho serve para todos que alimentam o meio de comunicação, a produção de aço ou a eleição do bilionário poderoso. Parece-me que somos todos nós.
Parece que se eu pudesse dizer que só há no mundo 1.000 reais e mil patos, para cada real haveria um pato valendo isto. Se eu dissesse que há no mundo 500 reais e mil patos, cada pato valeria 50 centavos. A diferença hipotética seria de 500 reais.
Parece que eu teria menos dinheiro, porém teria ainda todos os patos que quisesse.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Parece que a crise é financeira...

Essa falência é suficiente apenas para dizer que é 'financeira'.
Não compreendi ainda porque tanto alarde com este assunto. O que se perdeu até agora foi dinheiro, liquidez, valor de imóveis, etc. Parece que aqueles que acordavam sem pão francês continuam acordando sem ele e os padeiros ainda sabem fazer pão.
Outra incompreensão que ainda guardo, mesmo com toda a sabedoria dos economistas de TV me auxiliando, se refere aos empregos. Porque estão discutindo se as empresas devem ou não demitir funcionários para enfrentar melhor a crise? Parece que as empresas demitem e contratam funcionários mesmo quando ganham mais dinheiro. Desconfio que os superinteligentes administradores das super big mega maiores empresas do mundo mandam admitir e demitir para aumentar o lucro, não agem assim pela equivalência econômica entre as pessoas. Tem empresa de meia-dúzia de mãos contratando mais um ou dois pares delas justamente em meio a crise.
Parece que quando um grande quebra mil pequenos se consertam... Tem muita vovó emprestando dinheiro pra netinha casar. Pelo jeito o dinheiro que o banco perdeu não impediu a menina de crescer.
Os dedos continuam onde estão. E a terra não aumentou nem diminuiu de tamanho.

Sobre a chegada das falas esperadas

Vi um pinheiro muito alto.
Dois ou três quilos caídos da altura aviônica daquela copa expoente, com a força perfurante de uma pinha, num crânio desocupado de cálculos e tomado de ludicidade, trincaria a cuca de um incauto que tem na cabeça um lago de sonhos.
Uma fruta pequena despregada de seu grupo e lançada do topo do pinheiro, mostrando-se madura, faria reparo e nortearia a mente sonhadora no saber as regras determinantes à manutenção de interesses e busca de enlaces no casos quistos. A fruta poderia abastecer o corpo e contribuir para a caminhada rumo ao sensitivo chegar.
Notícias e comunicados chegados com humores apartados nas expectativas de bons ou maus presságios tendem a contribuir para a intensidade com que se recebe e sente o sim e o não ansiados.
Receber o baque de uma pinha ou o toque de um pinhão faz saber sem máscaras o real da dor ou do afeto. Por opção é talvez de se dar fé melhor ao fruto sem desdém ao cacho.
Assim, chegadas as falas esperadas, consoante o vento ou brisa das frases lançadas e o espírito sensibilizado pelo sabor da admiração passional, exulta-se na beleza ou se exalta na distância. O impacto revela os elementos do gozo ou da dor.
Que muitos frutos se lancem das copas altas. Afinal, o doce e o amargo são gostos para que se experimente. As dosagens altas é que enjoam.

Inerências retóricas

escrito e dinâmico * A razão é a busca dela. Está sempre entre seu impulso e sua descoberta. ..............................