a carne sente
e não treme
ante o aço
fumegante
que traz a marca
latente
indelével
homem
escreve o metal
sem reservas
com orgulho
e lembrança
de ser o que é
tendo sido menino
Aqui está o tergiversar ininterrupto que os intervalos empurram dos meus silêncios para este caderno não-papel.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
sábado, 8 de março de 2008
Nas cinzas
Aaaaaaahhhhhhh desespero que me come por dentro...
Que me traz escolhas de fuga, saída, ex-controle
Que me busca a retirar entranhas
Que me afasta
Podre pedaço pênsil
Não liga
Não une
Não traz
Não leva
Aaaaaaahhhhhhh desespero que me preenche...
Que me sublima sonhos
Que me intenta loucuras
Que me remete
Velha vida vala
Religa
Reúne
Repuxa
Reenvia
Morre mais uma vez
Prima parte todo
Do Eu
Doeu!
Que me traz escolhas de fuga, saída, ex-controle
Que me busca a retirar entranhas
Que me afasta
Podre pedaço pênsil
Não liga
Não une
Não traz
Não leva
Aaaaaaahhhhhhh desespero que me preenche...
Que me sublima sonhos
Que me intenta loucuras
Que me remete
Velha vida vala
Religa
Reúne
Repuxa
Reenvia
Morre mais uma vez
Prima parte todo
Do Eu
Doeu!
Banquinhos e rituais
Era quase diário absorver as últimas energias do sol frente ao mar aberto, perdendo-se em lembranças a serem construídas.
De tudo o que havia bebido até então, o que mais lhe embriagara foi o chimarrão. E sem ter base de comparação, provavelmente e de longe o maior alucinógeno existente. Em um mundo em que é fácil encontrar um senão, o chimarrão só não se auto-sustenta pela manufatura da erva. Em alguns casos até aí se auto-sustenta. No chiamarrear, a tontura ou embriaguez causada não traz a neblina para o olhar, traz antes a limpidez para a visão...
Num processo quase dogmático, conferir a cuia pela umidade, pois porongo molhado não dá bom mate. Separados os apetrechos que incluíam: A Bomba não cheia de enfeites nem construída de material inferior; a Térmica só para água quente, ainda que vez por outra guardasse algum chá; a Garrafa de bota com um dedo de aguardente, um maço de fumos, o acendedor, o celular pro acaso de ser solicitado e o bocó moderno com bolsos separados ajeitando o carregar; este último recebido de presente quando boa alma percebeu o enrosco de carga destas tralhas sem acomodação.
No entremeio de arrumos ficava a água ganhando temperatura, de forma lenta, fogo brando como se diz, com atenção ao chiar. A chaleira, na medida da térmica, foi regalo primeiro da passada nova morada e conduzia por vezes a água direito e à alma de um mate encilhado.
Este imperativo desfolhar de um momento íntimo é que desencadeou o comentário ulterior de um observador quase íntimo. É que tempos passados sem o rito, num encontro fortuito, reavivou-se na memória todo o desenrolar ritual.
Pelos re-arranjos da vida, o cidadão mateador já não mais se punha de pés na areia a sorver seu chá campeiro.
- Nunca mais te vi no teu banquinho.
- Foi a vida.
- O banquinho ainda está lá.
- Guerreiro.
- Tiraram o encosto. Algum espírito de porco deve ter consumido a madeira pra alguma fogueirinha. Tem gente que não pensa.
- Mas o banco ainda é o mesmo.
- Firme.
- Na areia...
Neste dia não houve rito de contemplação. Às vezes a filosofia perde-se na retórica.
De tudo o que havia bebido até então, o que mais lhe embriagara foi o chimarrão. E sem ter base de comparação, provavelmente e de longe o maior alucinógeno existente. Em um mundo em que é fácil encontrar um senão, o chimarrão só não se auto-sustenta pela manufatura da erva. Em alguns casos até aí se auto-sustenta. No chiamarrear, a tontura ou embriaguez causada não traz a neblina para o olhar, traz antes a limpidez para a visão...
Num processo quase dogmático, conferir a cuia pela umidade, pois porongo molhado não dá bom mate. Separados os apetrechos que incluíam: A Bomba não cheia de enfeites nem construída de material inferior; a Térmica só para água quente, ainda que vez por outra guardasse algum chá; a Garrafa de bota com um dedo de aguardente, um maço de fumos, o acendedor, o celular pro acaso de ser solicitado e o bocó moderno com bolsos separados ajeitando o carregar; este último recebido de presente quando boa alma percebeu o enrosco de carga destas tralhas sem acomodação.
No entremeio de arrumos ficava a água ganhando temperatura, de forma lenta, fogo brando como se diz, com atenção ao chiar. A chaleira, na medida da térmica, foi regalo primeiro da passada nova morada e conduzia por vezes a água direito e à alma de um mate encilhado.
Este imperativo desfolhar de um momento íntimo é que desencadeou o comentário ulterior de um observador quase íntimo. É que tempos passados sem o rito, num encontro fortuito, reavivou-se na memória todo o desenrolar ritual.
Pelos re-arranjos da vida, o cidadão mateador já não mais se punha de pés na areia a sorver seu chá campeiro.
- Nunca mais te vi no teu banquinho.
- Foi a vida.
- O banquinho ainda está lá.
- Guerreiro.
- Tiraram o encosto. Algum espírito de porco deve ter consumido a madeira pra alguma fogueirinha. Tem gente que não pensa.
- Mas o banco ainda é o mesmo.
- Firme.
- Na areia...
Neste dia não houve rito de contemplação. Às vezes a filosofia perde-se na retórica.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Súbito
Não se apresse o tempo
Hoje não.
Dói-me a alma
Esse chavão da vida
Expressão de não percebo
Susta-me ser corpo
Inerte.
Hoje não.
Não corra a vida
Faça-se uma pausa lá fora
Assim está dentro.
Estou piedoso dela
Minha supra-existência.
Sim, um drama.
Neste teatro amoroso
Sou da guilhotina
Quanto da corda é a mão
Que suspende a lâmina
Sem possuir desejo.
Não se apresse a mão da lâmina
Medida na corda
Da guilhotina
Contadora do tempo
Hoje não.
Dói-me a alma
Esse chavão da vida
Expressão de não percebo
Susta-me ser corpo
Inerte.
Hoje não.
Não corra a vida
Faça-se uma pausa lá fora
Assim está dentro.
Estou piedoso dela
Minha supra-existência.
Sim, um drama.
Neste teatro amoroso
Sou da guilhotina
Quanto da corda é a mão
Que suspende a lâmina
Sem possuir desejo.
Não se apresse a mão da lâmina
Medida na corda
Da guilhotina
Contadora do tempo
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Produto ou Sub
Por mais trabalhoso que seja tirá-los,
Quando saem os espinhos,
Fica a rosa.
Por mais ardiloso que seja arrancá-lo,
Quando sai o grito,
Fica o silêncio.
A rosa e o silêncio,
Incontáveis vezes não se manifestam.
Quando saem os espinhos,
Fica a rosa.
Por mais ardiloso que seja arrancá-lo,
Quando sai o grito,
Fica o silêncio.
A rosa e o silêncio,
Incontáveis vezes não se manifestam.
MAR
Quero sentir o grande mar, violento e puro.
Quero sentir o mar, nocturno e enorme.
Quero sentir o silêncio, o áspero silêncio do mar!
Quero sentir o mar, quero viver o mar!
Quero receber em mim o grande e escuro mar!
Não o mar-caminho, mas o mar-destino,
O mar fim de todas as coisas,
O mar, túmulo fechado para o tempo.
Quero o mar! O mar primitivo e antigo,
O mar virgem, despovoado de imagens e de lendas,
O mar sem náufragos e sem história.
Quero o mar, o mar purificado e eterno,
O mar das horas iniciais, o mar primeiro,
Espelho do Espírito de Deus, rude e terrível!
Este poema não é de minha autoria, e infelizmente não tenho o nome do autor, foi publicado na coletânea 'O MAR NA POESIA DA AMÉRICA LATINA'
Editora Assírio e Alvim (Lisboa - 1999)
Quero sentir o mar, nocturno e enorme.
Quero sentir o silêncio, o áspero silêncio do mar!
Quero sentir o mar, quero viver o mar!
Quero receber em mim o grande e escuro mar!
Não o mar-caminho, mas o mar-destino,
O mar fim de todas as coisas,
O mar, túmulo fechado para o tempo.
Quero o mar! O mar primitivo e antigo,
O mar virgem, despovoado de imagens e de lendas,
O mar sem náufragos e sem história.
Quero o mar, o mar purificado e eterno,
O mar das horas iniciais, o mar primeiro,
Espelho do Espírito de Deus, rude e terrível!
Este poema não é de minha autoria, e infelizmente não tenho o nome do autor, foi publicado na coletânea 'O MAR NA POESIA DA AMÉRICA LATINA'
Editora Assírio e Alvim (Lisboa - 1999)
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Concatenação?
Positivo.
Pensamento em vão.
Mundo de 'possibilidades'.
Negativo.
Pensamento em vão.
Mundo de 'possibilidades'.
Inação.
Pensamento em vão.
Mundo de 'impossibilidades'.
...
Pensamento em vão.
Mundo de 'possibilidades'.
Negativo.
Pensamento em vão.
Mundo de 'possibilidades'.
Inação.
Pensamento em vão.
Mundo de 'impossibilidades'.
...
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