Aqui está o tergiversar ininterrupto que os intervalos empurram dos meus silêncios para este caderno não-papel.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Curto e grosso
A indústria, seja de comidas, seja de bebidas, seja de carros, seja de dinheiro, seja de cadeiras no parlamento, seja de entretenimento, seja de remédios, seja de mentiras, É a soma de uma renca de safados.
sábado, 17 de setembro de 2011
Invólucros
Os vasos de louça fina
Onde guardei minhas melhores lembranças
Partiram suas bases deixando para fora
Todas as pétalas jazidas dos antigos jardins
Ando agora com um cesto cru e de cipó
Onde carrego frutos
E donde lanço sementes.
Onde guardei minhas melhores lembranças
Partiram suas bases deixando para fora
Todas as pétalas jazidas dos antigos jardins
Ando agora com um cesto cru e de cipó
Onde carrego frutos
E donde lanço sementes.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Úmido
Nesse dia enevoado
O bom humor não se afeta
A manhã se espreguiça
O café se aroma
E meu ver pela janela
Encontra cores nas gotas
Da garoa que passeia no jardim

O bom humor não se afeta
A manhã se espreguiça
O café se aroma
E meu ver pela janela
Encontra cores nas gotas
Da garoa que passeia no jardim
terça-feira, 23 de agosto de 2011
domingo, 6 de março de 2011
Adeus
Hoje
Nesse dia malfadado
Entreguei dos meus adeus
O mais distante desejado
Senti
O que não havia esperado
Sem nem ver os olhos teus
Um sair sem gosto e gelado
Nesse dia malfadado
Entreguei dos meus adeus
O mais distante desejado
Senti
O que não havia esperado
Sem nem ver os olhos teus
Um sair sem gosto e gelado
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Um brinde a burrice
Dedo nas teclas
palavra espalhada.
Mãos na cabeça
vida ceifada.
Poder só de um
humanidade acabada.
palavra espalhada.
Mãos na cabeça
vida ceifada.
Poder só de um
humanidade acabada.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
O portal e Perla
Perla perguntou se eu conhecia a dor, aquela que contou ter descoberto também nos que já sofrem a falta do mínimo para viver. Chamou de angústa existencial e disse que todos possuem, quero dizer, em alguns momentos são possuídos por ela. Mas o nosso ônibus amarelinho que pára até fora ponto, esse que dá ar fresco forçado para privilegiados, fez força para a direita e venceu a inércia da reta. Essa curva descobriu o mar de um lado e um paredão cinza cor de pedra do outro. Nos olhos dela, inundados de horizonte, vi o portal do morro das pedras me isolando da urbanidade. Chegados à nossa realidade paralela de paraíso, quis reviver o transe único do horizonte bebendo naqueles olhos. Assim é que descobri o quanto pode ser intensa a angústia. Ao chegar em casa, sem poder enxergar os dela, cerrei os meus.
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