quarta-feira, 10 de setembro de 2008

rolando

o peso que agora me calca as pernas
já não mais é o peso do caminho que prende
como repuxo de maré
o peso que levo é leve
a gordura que acumulei me suspende
como espuma de arrebentação
tenho mais em volume que em consistência
me refestelo com a manta branca que cobre minha carne
como ondas em alto mar
sou mais visível por ser mais volumoso
acabaram-se as cambalhotas de atenção
como golfinhos sem sardinha
sou mais invisível pelo mais comum que agora sou
acabou-se o chamativo estar em forma
como lagosta à vinagrete
sou mais para mim que sempre
este é um canto
que trouxe para louvar
a mim
gordo
feliz

sábado, 16 de agosto de 2008

Homenagem

Faço dos sábados todos que chegam
Dias de sem-ventura
Tempos de faltas.
Me falta o que dizer nestes dias
Em que minha incompetência me reduz
A esbravejar.
Assim dedico a mim e em especial
Ao meu ego autopiedoso
Esta merda escrita.

sábado, 2 de agosto de 2008

pelo prazer de te buscar

Quando recolher minhas asas
e sentir que a terra sob meus pés é a tua terra
estarei em casa.

Ai parceira brisa que ao sustentar as asas
leva a vista para além da vista
deste confessado réu.

Planarei até que o sonho do pouso
enfim seja no chão do teu paradeiro
ou seja o mar
o meu pouso derradeiro...

sábado, 26 de julho de 2008

o choro do riso

quero beber com meus olhos
o difuso horizonte de céu e água
e chorar com riso largo
a força branda que me impele
no minuto eterno deste dia
para o começo de um novo nada

quero enxergar com minha boca
o tempero certo de pele e suor
e sorrir com lágrimas
a ternura que me contrai
no estanque momento deste minuto
para finalizar em ti o meu todo

terça-feira, 15 de julho de 2008

As imagens das faces

É forçado
Para um enta
Que faz vida a buscar a vida
Como um inte
Fazer-se inta
Que se não jovialidade pura
É ao menos presença de força

É creditado
À todo enta
Encontrado na vida
Como se quer de um inta
Fazer-se inte
Não se mostrar de todo força
Mas se fazer na tez um jovem

sábado, 21 de junho de 2008

Herança inoxidável!

Disse-me um dia meu avô Adil Alves Malheiros, que a arte é nosso ofício no Céu.
Quando um Brasil, não o país, não os homens, não as mulheres, não quem estava a favor nem tampouco os malucos inconformados do contra agitadores reacionários, mas sim um Brasil indivíduo, viveu o mando de alguns filhos de uma grande puta chamada ditadura, meu avô viveu seu sítio sitiado. Alguns anos andados e nós os infantes, experimentávamos a ditadura sem saber-lhe os interesses e conceitos. Netos recebem contos de gerações das suas famílias e comem aqueles que mais lhes aprouve ou mais lhes transpassa a carne ou que lhes deixa sinal evidente na pele. Este cerco opressor ao meu lugar da vida de infância que fisicamente era propriedade de meu avô tornou-se meu ferro quente.
Fronte em riste para dizer poesia, tez serena e olhos esbugalhados para contar assombros, faziam dele em meu imaginário, difícil de adivinhar. Da casa grande onde ele vivia e eu bebia parte da construção das minhas primeiras ideologias, melhor lhe tingia a aura um anexo simples em tábuas com mata juntas com chão em piso queimado, que me remetiam a intuir uma casa antes sida, pois mantiveram ou construíram, conforme o caso, duas paredes em L. A cor foi sempre para mim o azul.
Quis o dia que ele estivesse ajeitado em uma cadeira não reta, tampouco muito espraiada, para contar ao eu antes de agora sobre o que faríamos quando saídos desta para a outra vida.
Neste ponto uma licença: Se para o de comum aceito se crê melhor que aqui estamos na vida e esta finda com a morte então não vale a fala de meu avô, se para a crença de cada um renascemos ou não em outra vida terrena ou divina talvez não valha a pena dar atenção a tão inocente anotação de neto. Talvez me convença um dia a idéia de que estamos mortos a sonhar até o dia que não mais resista o imã da morte e nasçamos para o que em verdade será a vida e daí o que me disse o avô haverá de ser urgente.
Tornando.
Por líquido material real palpável me disse o avô que no Céu tudo é alegre. Uns cantam, outros tocam, uns compõem histórias, outros contam, tornando assim o paraíso digno do nome.
Acontece que este avô difícil de adivinhar concluiu a prosa monológica imprimindo a sua assertiva de que não nos é certa a permanência no Céu pela correção na Terra. O andar correto por aqui apenas nos abre os portões do Éden. Para lá permanecer, ele assim o determinou, faz-se necessário o proveito na manutenção da alegria.
Cadê meu violão...

domingo, 15 de junho de 2008

Pé por pé...

Num compromisso de anos assumido
Em que viajar é o sentido de ser procura
Procurei minhas forças deixadas pra trás
Num quarto de máquinas e remédios

Passaram tantos dias quase vazios
Que somaram duas semanas quase vazias
E preencheu-se a segunda semana
De uma ferida na bunda

Quero levantar vôo
Quero tocar outros campos
Quero andar livre e em cima de minhas pernas

A voz do amigo ecoa em meu ouvido:
Primeiro cura a bunda
Depois encilha o cavalo

Inerências retóricas

escrito e dinâmico * A razão é a busca dela. Está sempre entre seu impulso e sua descoberta. ..............................