Viva a alegria de ter
Em todo sábado que ansias
A certeza de um colo
Um afago
Viva a beleza de ser
Em todo sábado que te chega
A figura de um sonho
Um lago
Te livre o tempo de chegar aos sábados
Estes comuns sábados que me chegam agora
Cheios de nada
E farás de ti e de quem tu és
A soma de sábados felizes de memória
Envoltos em alegrias e sonhos
Aqui está o tergiversar ininterrupto que os intervalos empurram dos meus silêncios para este caderno não-papel.
domingo, 18 de maio de 2008
terça-feira, 13 de maio de 2008
Dissimulação
- Trapaceie para vencer! Dissimulação! Isto é mais um caso para a dissimulação! Trambicagem, enganação, ludibriação, trapaça mesmo. Quase como sempre. Entendeu?
Disse assim de pronto, como natural fosse responder a um menino de oito anos que ele vai morrer, dificilmente vai ser feliz e que vai ser enganado quase que permanentemente, principalmente por ele mesmo. E a dúvida nem era para tanto visto querer saber o incauto menino como se obtém sucesso. Pai frustrado é uma bosta!
- Mas é preciso saber enganar, afinal o mundo é dos espertos, e se você for muito inteligente, muitos não se deixarão enganar, afinal a maioria é burra e pode não entender o que você está tentando parecer ou querer. Entendeu?
- Não.
- Não. Ótimo!
- Pai, você é meio esquisito. Você é um trambiqueiro? Engana as pessoas?
- É o que eu to tentando fazer agora com você? Se der certo você vai ter aumentadas as tuas chances de viver melhor. Entendeu?
- Não.
- Não. Ótimo!
- Quem vai ser o campeão da copa?
- Quem enganar melhor!
- Pai, não é por acaso quem jogar melhor?
- Não.
- Não????? Ótimo.... agora é que eu não entendo nada... mesmo...
- Ótimo.
Disse assim de pronto, como natural fosse responder a um menino de oito anos que ele vai morrer, dificilmente vai ser feliz e que vai ser enganado quase que permanentemente, principalmente por ele mesmo. E a dúvida nem era para tanto visto querer saber o incauto menino como se obtém sucesso. Pai frustrado é uma bosta!
- Mas é preciso saber enganar, afinal o mundo é dos espertos, e se você for muito inteligente, muitos não se deixarão enganar, afinal a maioria é burra e pode não entender o que você está tentando parecer ou querer. Entendeu?
- Não.
- Não. Ótimo!
- Pai, você é meio esquisito. Você é um trambiqueiro? Engana as pessoas?
- É o que eu to tentando fazer agora com você? Se der certo você vai ter aumentadas as tuas chances de viver melhor. Entendeu?
- Não.
- Não. Ótimo!
- Quem vai ser o campeão da copa?
- Quem enganar melhor!
- Pai, não é por acaso quem jogar melhor?
- Não.
- Não????? Ótimo.... agora é que eu não entendo nada... mesmo...
- Ótimo.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
O auge da culinária
O auge da culinária comentada pelo nosso grupo de amigos pouco foi apreciada na mesa.
A condição de experimentar pratos saborosos e famosos inclui o acesso a esses pratos. Diante do rebusque exigido na preparação do palato para se chegar ao condicionamento do cérebro que reconhece nuances de vários alimentos, a operação de comentar qualidades de formas várias de gostos começou a me parecer mais exercício dialético ou de pesquisa literária do que de prova.
Ouço cada vez mais, da boca de verdadeiros entendidos, indicações de cakes divinos, donnut's irresistíveis. O desfile de terminologias diferentes para coisas conhecidas permeia conversas no, calculo, afã de repartir conhecimento...
Fui presenteado com um molho de pimenta. Pimentas vermelhas, colhidas a mão, envelhecidas em barricas de carvalho. O tal molho tem um nome de fábrica, nome de produto. Ainda assim, ressalvada a alta qualidade, é um molho de pimenta. Mas é só cair na mesa e os interessados ao pedirem o seu alcance, tratam-no pelo nome de fábrica. Porque não pelo que é, molho de pimenta. E não temos em casa vários molhos de pimenta para que se destaque um.
Alguns dias depois recebi de presente uma especiaria dentro de um vidrinho. A erva principal embebida no óleo é o basílico. Fiquei mais empavonado que já sou. Uma erva fina, diferente e incomum para o meu meio. A desilusão veio num programa que trata de culinária, quando assisti pela televisão, em um meio de comunicação de massa, a destruição de minha distinção como possuidor de basílico; a ilustre apresentadora disse que tal erva é o nosso manjericão. Manjericão. Isto tem no pátio de casa!
Noutro dia estávamos reunidos e surgiu o churrasco na bola da vez. Um amigo comprou duas ou três peças de costela. Carne boa, fogo bom, e um bom assador, modéstia à parte, garantiram um bom almoço. No meio da tarde perguntaram que pedaço da costela era aquele.
Polêmica à vista. Didaticamente indiquei com as mãos em meu corpo onde se localizava no boi aquela parte da costela. O ato surtiu um efeito interessante. Uma amiga presente disse ser meio estranho, quase mórbido fazer aquela indicação.
O que assustou na ação foi a ligação do pedaço de carne, que todos comeram, com um animal vivo, que no caso era eu.
A partir daí conversamos sobre vários animais, como abatê-los, como recortá-los. Um ato que pela maioria foi compreendido como violento, brutal e desumano.
Ninguém deixou de comer carne assada no dia seguinte.
A condição de experimentar pratos saborosos e famosos inclui o acesso a esses pratos. Diante do rebusque exigido na preparação do palato para se chegar ao condicionamento do cérebro que reconhece nuances de vários alimentos, a operação de comentar qualidades de formas várias de gostos começou a me parecer mais exercício dialético ou de pesquisa literária do que de prova.
Ouço cada vez mais, da boca de verdadeiros entendidos, indicações de cakes divinos, donnut's irresistíveis. O desfile de terminologias diferentes para coisas conhecidas permeia conversas no, calculo, afã de repartir conhecimento...
Fui presenteado com um molho de pimenta. Pimentas vermelhas, colhidas a mão, envelhecidas em barricas de carvalho. O tal molho tem um nome de fábrica, nome de produto. Ainda assim, ressalvada a alta qualidade, é um molho de pimenta. Mas é só cair na mesa e os interessados ao pedirem o seu alcance, tratam-no pelo nome de fábrica. Porque não pelo que é, molho de pimenta. E não temos em casa vários molhos de pimenta para que se destaque um.
Alguns dias depois recebi de presente uma especiaria dentro de um vidrinho. A erva principal embebida no óleo é o basílico. Fiquei mais empavonado que já sou. Uma erva fina, diferente e incomum para o meu meio. A desilusão veio num programa que trata de culinária, quando assisti pela televisão, em um meio de comunicação de massa, a destruição de minha distinção como possuidor de basílico; a ilustre apresentadora disse que tal erva é o nosso manjericão. Manjericão. Isto tem no pátio de casa!
Noutro dia estávamos reunidos e surgiu o churrasco na bola da vez. Um amigo comprou duas ou três peças de costela. Carne boa, fogo bom, e um bom assador, modéstia à parte, garantiram um bom almoço. No meio da tarde perguntaram que pedaço da costela era aquele.
Polêmica à vista. Didaticamente indiquei com as mãos em meu corpo onde se localizava no boi aquela parte da costela. O ato surtiu um efeito interessante. Uma amiga presente disse ser meio estranho, quase mórbido fazer aquela indicação.
O que assustou na ação foi a ligação do pedaço de carne, que todos comeram, com um animal vivo, que no caso era eu.
A partir daí conversamos sobre vários animais, como abatê-los, como recortá-los. Um ato que pela maioria foi compreendido como violento, brutal e desumano.
Ninguém deixou de comer carne assada no dia seguinte.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Eus em monólogo
Estabelecendo empatia entre o eu de fato eu, o eu essencial e independente da consciência do eu, e o eu que quer mandar no eu, deu no que deu.
- Deixe-me escrever! Deixe-me pelo menos imprimir o que até agora está escrito... o resto eu termino a mão... depois atiro em minha cabeça e deixo uma carta pedindo para que me enterrem com as cinzas do que escrevi; e queimei...
- !!!
- ???
.
- Deixe-me escrever! Deixe-me pelo menos imprimir o que até agora está escrito... o resto eu termino a mão... depois atiro em minha cabeça e deixo uma carta pedindo para que me enterrem com as cinzas do que escrevi; e queimei...
- !!!
- ???
.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Conto egoescrito
Tá! Grande besteira essa de publicar uma idéia pra não dar idéia nenhuma, como ficou sugerido em alguns artigos que li para tentar aprender a escrever um conto. Artigos que tratavam da forma como principal ao conteúdo.
O jornal estava na mesa quando eu fingia que lia. Entrou o filósofo em casa e disse da concorrência.
Oportunidade à vista. Champanhe com churrasco. Posteridade garantida. Algumas palavras, alguns trejeitos e uma verdade revelada. A forma perfeita de ingressar no mundo ilógico da lógica escrita.
Deixei a pesquisa sobre o tema pra depois. Vi primeiro como é que se escreve ‘esse tal de conto’. Internet, conversas, releituras de algumas obras de outros escritores (quase meus colegas nessa hora).
Peguei um livro de alguns contos do Machado de Assis, lembrei de alguma coisa que li do Lima Barreto, mais “O artista de quatro mãos” do Jairo B. Pereira. Ansioso, li rapidamente o que juntei. Depois deixei tudo de lado e pesquisei na internet. Encontrei auxílio em dezenas de sites e escolhi algumas ‘coisas’.
Foi ótimo pesquisar na internet, pois enquanto entendia o que queriam me dizer para escrever um conto, me perdia nas entrelinhas.
Fui à casa do André, amigo pra todas as horas. Ele me aconselhou e eu me rebusquei num livro do Humberto Eco que trata das boas maneiras para escrever uma boa tese. A partir daí vi que quanto mais eu lia, menos compreendia. Será a minha ambição?
Sentei em frente ao computador e comecei a escrever para ver no que dava. Me meti nas letras campereando um tanto sem compromisso, como quem vai a 'lo largo'. Saiu isto que você agora está vendo. Várias vezes repeti o gesto de rabiscar nesta prancheta moderna e depois acompanhar o que por magia aparecia na tela.
Mas, a partir deste último parágrafo, senti algo que não havia sentido em outros momentos de reflexão. Mesmo que maravilhoso ou horrível, consegui montar um texto. E melhor, acreditei que compreendi o que escrevi.
É possível que alguém leia isto e entenda. È possível ainda que alguém compreenda.Acho que amanhã vou tentar novamente. Gostei de escrever para eu mesmo ler...
O jornal estava na mesa quando eu fingia que lia. Entrou o filósofo em casa e disse da concorrência.
Oportunidade à vista. Champanhe com churrasco. Posteridade garantida. Algumas palavras, alguns trejeitos e uma verdade revelada. A forma perfeita de ingressar no mundo ilógico da lógica escrita.
Deixei a pesquisa sobre o tema pra depois. Vi primeiro como é que se escreve ‘esse tal de conto’. Internet, conversas, releituras de algumas obras de outros escritores (quase meus colegas nessa hora).
Peguei um livro de alguns contos do Machado de Assis, lembrei de alguma coisa que li do Lima Barreto, mais “O artista de quatro mãos” do Jairo B. Pereira. Ansioso, li rapidamente o que juntei. Depois deixei tudo de lado e pesquisei na internet. Encontrei auxílio em dezenas de sites e escolhi algumas ‘coisas’.
Foi ótimo pesquisar na internet, pois enquanto entendia o que queriam me dizer para escrever um conto, me perdia nas entrelinhas.
Fui à casa do André, amigo pra todas as horas. Ele me aconselhou e eu me rebusquei num livro do Humberto Eco que trata das boas maneiras para escrever uma boa tese. A partir daí vi que quanto mais eu lia, menos compreendia. Será a minha ambição?
Sentei em frente ao computador e comecei a escrever para ver no que dava. Me meti nas letras campereando um tanto sem compromisso, como quem vai a 'lo largo'. Saiu isto que você agora está vendo. Várias vezes repeti o gesto de rabiscar nesta prancheta moderna e depois acompanhar o que por magia aparecia na tela.
Mas, a partir deste último parágrafo, senti algo que não havia sentido em outros momentos de reflexão. Mesmo que maravilhoso ou horrível, consegui montar um texto. E melhor, acreditei que compreendi o que escrevi.
É possível que alguém leia isto e entenda. È possível ainda que alguém compreenda.Acho que amanhã vou tentar novamente. Gostei de escrever para eu mesmo ler...
sábado, 5 de abril de 2008
ato reflexo
O assombro refletido em minha face
Advêm da soma de todos os flertes
De teu íntimo emanado
No colóquio que inventas
Com os seres que crias.
Persistem em ti.
Habitam-te.
Aveludado toque de sorrisos chega
Direcionado desta fonte você
Homogeneizando meus picos
De fúria e placidez
Com teu sopro de carinhos.
Sussurram em mim.
Procuram-te.
Velo vê-la novelo
Tento intentar te tecer
Creio te querer carente
Busco bastar te sonhando.
Placidez sublimada.
Fúria assombrada.
Advêm da soma de todos os flertes
De teu íntimo emanado
No colóquio que inventas
Com os seres que crias.
Persistem em ti.
Habitam-te.
Aveludado toque de sorrisos chega
Direcionado desta fonte você
Homogeneizando meus picos
De fúria e placidez
Com teu sopro de carinhos.
Sussurram em mim.
Procuram-te.
Velo vê-la novelo
Tento intentar te tecer
Creio te querer carente
Busco bastar te sonhando.
Placidez sublimada.
Fúria assombrada.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
quadragésimo
não crível - não parou - não notou
indiferença do tempo
não crível - passou - voou
o ponteiro dos dias
não crível - inteiros - findos
a soma dos anos
não crível - ter hoje nascido - sem ter hoje morrido
o compasso da vida
que bosta
o mundo insiste em não se fixar no meu umbigo
indiferença do tempo
não crível - passou - voou
o ponteiro dos dias
não crível - inteiros - findos
a soma dos anos
não crível - ter hoje nascido - sem ter hoje morrido
o compasso da vida
que bosta
o mundo insiste em não se fixar no meu umbigo
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