Meu problema é juntar coisas. Vivo a juntar mais do que de fato quero, desejo. Junto coisas, um catador de memórias provido de seu infinito rascunho e um oceano de tinta para canetas. E atulhado de coisas já não me vejo, nem ademais me reconheço. Junto inúmeras coisas. Depois jogo fora.
Muito mais do que havia é o que vai. As coisas jogadas fora, em cada novo agora, sempre parecem menos do que tudo que foi fora. Falta razão em pensar assim, mas esse é um sentimento e como tal só faz sentido desprovido de lógica. Fica pálido de sentidos o campo que estava cheio, nem força tem para ser árido. Deixei vazio.
Mas a vida me revela. Silente e fria no seu impassivo propósito de me refazer, a vida limpa a superfície do espelho que leva para o fundo do casulo onde estou. Dona de si, portanto diferente de mim, redesenha meu destino a seu tempo, seja um dia, hora, ano. Sem as coisas que havia juntado e jogado fora penso ser aquele que é sem espaço para coisas juntadas. Mas a vida persiste e me desengana, abre espaços. Pois é sempre esse sempre, quando estou vazio retorno a mim mesmo. Junto coisas.
Aqui está o tergiversar ininterrupto que os intervalos empurram dos meus silêncios para este caderno não-papel.
sábado, 18 de maio de 2013
domingo, 12 de maio de 2013
Desentraves - Resumo e Discuso
- Resumo
Arrumei a janela do quarto. Já deixava sempre aberta. Fechar era fácil. Enroscava para abrir. Todos os dias a mesma chatice. Praguejei o trilho. Está arrumada. Desmontei e apertei um parafuso. Ele descia e travava a roldana. Ficou quase perfeita. Deixei aberta. Em breve precisaria mexer lá. Choveu. Pude fechar sem medo. Quando quiser abro. Estou livre.
- Discurso
Choveu muito, mesmo demais, chuva a sério, acredite. Chuva dessas de verão que quando começam passam rápido e molham muito. Essa era uma chuva de verão com crise de identidade, demorou a passar, achava que era de inverno. Mas só no tempo, na intensidade muita água, de verão mesmo.E a janela lá, aberta. Eu nunca tive problemas com essa janela, meu desamor era com o trilho, sempre culpei o trilho. Olhava para ele e desfazia até o jeito que fizeram a janela, não pela janela, pelo trilho.
Sempre que acontecia isso, a chuva, se era dessas que pensam que são inverno sendo verão, pior se houvesse vento porque sem vento eu nem iria, se eu lembrasse é claro, corria para fechar a janela. Ela fechava. Assim, era feliz com chuva e frio, porque a janela fechava. Mas quando parava a chuva e voltava o calor... abrir a janela, ela não queria, ou não conseguia. Boa janela, mas o trilho, enroscava, sempre enroscava. Às vezes travava a janela a meio caminho, ficava atravessada, nem ia nem vinha. Prensada entre a parte superior do quadro e ele, o trilho, o traste do trilho.
Suor de molhar a ribana da gola da camiseta. Desmontei a janela, só para ver o trilho, que emperrava e eu não via o porque de um trilho que não passava de um perfil de alumínio quadrado sem arestas, emperrar. A meio caminho já nem queria mais ver o trilho, pensava em outro, comprar outro, fazer outro, criar outro, solicitar uma pesquisa endoutorada da universidade para encontrar o paradoxo do trilho que não serve para trilhar. Quase cai um parafuso, não do trilho, mas dos fixadores da roldana, do quadro de vidro da janela, que corre sobre o trilho. Ele descia e enroscava no agora inocente e antes infernal trilho.
Agora se chove fecho e se o sol aquece, abro. Saindo do trilho fiquei livre.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Ignorância acadêmica
Conheço inúmeras pessoas com bastante conhecimento, diz-se delas que são cultas. Conheço muitas pessoas que falam pobrema. Conheço poucas pessoas cultas com alguma sabedoria. A ignorância, por outro lado, também não produz muito mais do que dificuldades em nos compreendermos.
Dizer prástico não causa pobremas maiores do que dificuldades na compreensão. O culto compreende uma frase quando ela possui um pobrema inserido. Assim como um ignorante compreende uma frase culta quando ela não está carregada de verborragia ou falso saber.
Transmitir o conhecimento, repartir, é um passo que deveria ser natural no caminho do avanço e do saber. A Academia se julga sabedora, infelizmente me parece, cada vez mais e apenas, conhecedora e compiladora verborrágica. A minha alegria é enxergar pessoas que falam que o pobrema não se resolve quando aprendemos a falar problema, mas sim quando deixamos de causá-los, aprendemos a interpretá-los, agimos para resolvê-los ou ultrapassá-los sem deixar que seus rastros sejam uma maldita herança. Qualquer ignorante pode ter essa sabedoria.
Dizer prástico não causa pobremas maiores do que dificuldades na compreensão. O culto compreende uma frase quando ela possui um pobrema inserido. Assim como um ignorante compreende uma frase culta quando ela não está carregada de verborragia ou falso saber.
Transmitir o conhecimento, repartir, é um passo que deveria ser natural no caminho do avanço e do saber. A Academia se julga sabedora, infelizmente me parece, cada vez mais e apenas, conhecedora e compiladora verborrágica. A minha alegria é enxergar pessoas que falam que o pobrema não se resolve quando aprendemos a falar problema, mas sim quando deixamos de causá-los, aprendemos a interpretá-los, agimos para resolvê-los ou ultrapassá-los sem deixar que seus rastros sejam uma maldita herança. Qualquer ignorante pode ter essa sabedoria.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Intervalos - 2
sábado, 27 de abril de 2013
Sem semântica
Enquanto, no mundo todo, a maioria das pessoas acreditar que a qualidade das suas vidas, no presente e no futuro, é assegurada pelo dinheiro, viveremos numa humanidade de horizonte ruim, desonesta, superficial. O dinheiro é apenas a menor das relações, um instrumento para trocarmos um valor efetivamente produzido por outro valor. Todos os outros atributos dados a ele são engôdos, mentiras criadas para satisfazer e justificar desonestidades.
Quando a maioria das pessoas compreender que a qualidade das suas vidas, no presente e no futuro, pode ser assegurada pela honestidade das suas relações pessoais, viveremos numa humanidade de horizonte bom, correto, amplo. As pessoais são a maior das relações, são um instrumento para trocarmos abundâncias inerentes a nossa existência. Todos os atributos dados a elas são aprendizados, compreensões transmitidas para satisfazer e justificar fraternidades.
Onde o dinheiro vem primeiro, a fraternidade raramente anda. Onde a fraternidade vem primeiro, o dinheiro tem apenas a importância da disponibilidade
Quem decide por um, negligencia o outro.
Quando a maioria das pessoas compreender que a qualidade das suas vidas, no presente e no futuro, pode ser assegurada pela honestidade das suas relações pessoais, viveremos numa humanidade de horizonte bom, correto, amplo. As pessoais são a maior das relações, são um instrumento para trocarmos abundâncias inerentes a nossa existência. Todos os atributos dados a elas são aprendizados, compreensões transmitidas para satisfazer e justificar fraternidades.
Onde o dinheiro vem primeiro, a fraternidade raramente anda. Onde a fraternidade vem primeiro, o dinheiro tem apenas a importância da disponibilidade
Quem decide por um, negligencia o outro.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
antever
Quando olho para o ar
esse que não se vê
e creio nele haver a lua
luminosa e cheia
sinto o que só se crê.
esse que não se vê
e creio nele haver a lua
luminosa e cheia
sinto o que só se crê.
sábado, 20 de abril de 2013
Sobre a resignação
Ao que passa, o tempo, deixando nossos viços mais escassos, vejo-nos em reflexo. Para tanto somos quase um mesmo, se não ser, pelo menos caminho. Alguns que optam pelo profundo me agradam. Assim dual me escolho diariamente entre ficar velho ou ridículo.
Assinar:
Postagens (Atom)
Inerências retóricas
escrito e dinâmico * A razão é a busca dela. Está sempre entre seu impulso e sua descoberta. ..............................
-
O Estado no Brasil é inimigo do cidadão. O paradoxo é ser o cidadão brasileiro o maior apoiador do Estado Inimigo. A culpa? Interpretaç...
-
...vontade mesmo aquele sentimento maior que nasce livre no peito ?humano? nesse ano que escolhem matar por asfixia negando ar só tenho a d...
-
Saúde é parte vital do todo. Educação é parte fundamental do todo. Economia é parte muito importante do todo. Democra...
