Se a informação veiculada por meios de comunicação, mais a produção de aço utilizada, mais os cargos políticos estratégicos de cidades ou países, que atingem direta ou indiretamente milhões de pessoas no mundo, são elementos dominados por quatro ou vinte bilionários, como é possível acreditar que o que sabemos sobre os movimentos financeiros atuais são mesmo para não deixar menos rico o menos rico ou menos média o classe média.
Excluí da lista o pobre porque sou tendencioso e me parece que este perde sempre. É como dizer que a sina do pobre é alimentar e manter algum equilíbrio nas castas menos baixas. Assim como a sina do média é manter o pobre afastado e o condomínio limpo para o rico. Tanto quanto a sina do rico é alimentar o sonho impossível de qualquer um vir a ser um bilionário poderoso. Este último sonho serve para todos que alimentam o meio de comunicação, a produção de aço ou a eleição do bilionário poderoso. Parece-me que somos todos nós.
Parece que se eu pudesse dizer que só há no mundo 1.000 reais e mil patos, para cada real haveria um pato valendo isto. Se eu dissesse que há no mundo 500 reais e mil patos, cada pato valeria 50 centavos. A diferença hipotética seria de 500 reais.
Parece que eu teria menos dinheiro, porém teria ainda todos os patos que quisesse.
Aqui está o tergiversar ininterrupto que os intervalos empurram dos meus silêncios para este caderno não-papel.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Parece que a crise é financeira...
Essa falência é suficiente apenas para dizer que é 'financeira'.
Não compreendi ainda porque tanto alarde com este assunto. O que se perdeu até agora foi dinheiro, liquidez, valor de imóveis, etc. Parece que aqueles que acordavam sem pão francês continuam acordando sem ele e os padeiros ainda sabem fazer pão.
Outra incompreensão que ainda guardo, mesmo com toda a sabedoria dos economistas de TV me auxiliando, se refere aos empregos. Porque estão discutindo se as empresas devem ou não demitir funcionários para enfrentar melhor a crise? Parece que as empresas demitem e contratam funcionários mesmo quando ganham mais dinheiro. Desconfio que os superinteligentes administradores das super big mega maiores empresas do mundo mandam admitir e demitir para aumentar o lucro, não agem assim pela equivalência econômica entre as pessoas. Tem empresa de meia-dúzia de mãos contratando mais um ou dois pares delas justamente em meio a crise.
Parece que quando um grande quebra mil pequenos se consertam... Tem muita vovó emprestando dinheiro pra netinha casar. Pelo jeito o dinheiro que o banco perdeu não impediu a menina de crescer.
Os dedos continuam onde estão. E a terra não aumentou nem diminuiu de tamanho.
Sobre a chegada das falas esperadas
Vi um pinheiro muito alto.
Dois ou três quilos caídos da altura aviônica daquela copa expoente, com a força perfurante de uma pinha, num crânio desocupado de cálculos e tomado de ludicidade, trincaria a cuca de um incauto que tem na cabeça um lago de sonhos.
Uma fruta pequena despregada de seu grupo e lançada do topo do pinheiro, mostrando-se madura, faria reparo e nortearia a mente sonhadora no saber as regras determinantes à manutenção de interesses e busca de enlaces no casos quistos. A fruta poderia abastecer o corpo e contribuir para a caminhada rumo ao sensitivo chegar.
Notícias e comunicados chegados com humores apartados nas expectativas de bons ou maus presságios tendem a contribuir para a intensidade com que se recebe e sente o sim e o não ansiados.
Receber o baque de uma pinha ou o toque de um pinhão faz saber sem máscaras o real da dor ou do afeto. Por opção é talvez de se dar fé melhor ao fruto sem desdém ao cacho.
Assim, chegadas as falas esperadas, consoante o vento ou brisa das frases lançadas e o espírito sensibilizado pelo sabor da admiração passional, exulta-se na beleza ou se exalta na distância. O impacto revela os elementos do gozo ou da dor.
Que muitos frutos se lancem das copas altas. Afinal, o doce e o amargo são gostos para que se experimente. As dosagens altas é que enjoam.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Fiquei bonito
Estou prestes a me tornar uma montanha de ossos que sustentam músculos e um centro de comando para operações básicas. Sinto que o máximo de saber que a humanidade produziu pode ser resumida a supra inteligência da imagem. Para que meu ser traduza o que de fato aprendi, faço o impossível de queimar calorias pré-ingestão como se a gordura da minha barriga fosse um símbolo criminoso.
A cada flexão que minha aparência melhorada impulsiona faço um trejeito de 'sou bom' para compor o modelo que escolhi representar. É possível que, tipo assim, eu faça sei lá, tipo, um montão de coisas... Mas ahhhhh, quer saber!?!? Nem sei porque me mandaram falar novo paradigma se o que eu estabeleço é tipo um novo conceito. Dãããã!!!!
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
A vista do vale
A trilha até aqui vencida e a imaginada coincidem no desenho. O tempo de cada qual é que não sucede ao mesmo momento. Se a coincidência é parcial, parte de mim se satisfaz e o que sobra apenas resta. Já não choro a torta que me caiu da bolsa.
Daqui até a foz de um dos vários riachos que circundam aquela baía preciso andar de alguns a vários dias. Cada riacho quer representar uma quantidade de fios de uma vasta cabeleira. Se eu chegar em dias o momento pensado será o momento atingido. Caso a hora de beijar o lago com um gole d'água tenha passado a sede me trará de volta ao caminho. Se meu cantil for negligente serei pó em pouco passo.
O tempo que caminhei até este mirante já passou da conta. Agora não importo o pé ou o andar que dista conforme vou com o menos ou com o mais que a marca gravada em meu corpo. Vale é unir o desenho do que vejo ao possível momento que sonho.
Além do lago há um horizonte que é linha. Se para o mais longo curso houver um bote, serei o pé que veio ao primeiro lago trazer a mão para remar. Se um barco houver serei a proa. A cada margem que alcanço sou recluso no desejo de absorver a vida na contemplação. Porém o quadro lembra um cheiro.
Me lanço neste vale para mergulhar na pintura. Descer por esta busca tem valido pela vista.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Todo
Vá para o fundo do que sou.
Traga em um saco de despir
toda memória que houver
em cada parte que fui.
Se no teu retorno a ti
não houver sequer um traço
do espírito que me escreveu,
lança fora esta coleta.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Imagem
Ao gravar tua caricatura
Neste espelho cercado de vento
Enxerga em teu rosto a candura
Do amor que te espera ao relento
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