sábado, 27 de dezembro de 2008

ciclo completo e água no máximo = contemplação e alegria

adoro máquinas de lavar. perfeitas alvejadoras de alma e momento. destaque honoris causa para aquelas que lavam roupas. parabéns aos acrílicos menos que aos antigos vidros que me deram janelas para acompanhar o préstimo da tecnologia em pleno movimento e que são mais resistentes a opacidade herdada no tempo.
talvez esta lúgubre faina de fazer um trabalho sem quase nada pelas mãos ser feito acalme meu humano poder de destituir de labuta quem nela se encontre sobrevivente. pode também que ali se apresente um tanto da minh'alma a sentir sua existência massageada no falacioso desimpregnar-se do pó que a estrada de viver impõem.
uma rotatória caminhada faz o tecido cheio de recortes e emendas. ele que me revestia a pele e agora se entrega ao bater que não dói da persistente mecânica. um rotativo olhar segue a água a procura de vestígios de outra pele. a flexão imprópria de se ver um na máquina faz a soma para o seguimento no atenuante perceber que a repetição e a ciclicidade buscarão outras peças para enrolar mangas e colarinhos nesta ou noutra máquina unificadora de suores e dissipadora de manchas.
sonho que este constante bater um dia não signifique somente um tanto apanhar. creio que o esfrega compassado das pás que agitam minha cabeça junto com as roupas faz mais que aturdir minhas idéias. construo a cada lavagem a vontade de servir como camisa mais que ser servido como água de passagem.
por ser água o agente principal destas lavadeiras eu me sinto acolhido. se está longe de ser um ventre está perto de ser um dinâmico viver. só faltam as peças outras para que as peças minhas assanhem meus sonhos.

feira número quatro

seria óbvio se fosse? mas o falso da frase é que, o simples ser se acaso fosse, óbvio não se faria e o verso disto só viria a ser se a vontade verdadeira de ser não houvesse...
reflexão para um dia em que o sofá deveria ser o motivo de juntar. serve até que a vida empurre a filosofia pela chaminé em que papai noel não entra sem que seja noite.
que o óbvio seja.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

meuscremento

dentre os dias
alguns há
em que pensar
é um saco

sei tempos
como agora
em que falar
é um porre

entremeando guturalidades
parcimoniando textos
vai o porre para o saco

aproveitado o suntuoso oco
da cuca ressonante eco
e o cérebro seria uma tripa

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

a puta da labuta e a gerente da zona

Um dia o suor substituirá a inspiração e então os versos se farão cravejados de engodos e técnicas. Pingando e pintando em sangue sobre as lâminas de madeira, sem que o verso tenha forma no cérebro, é que se tem poesia. Isto de muito empenhar serviço pra juntar letras e rimar linguagem é para vagabundos assumidos que dificultam o livre nascer do verbo. Dificultada a regra da poesia e um tucho de apropriados da legislação poética vive do que outros inspiram.

Um dia a inspiração substituirá o suor e então as técnicas se farão cravejadas de versos e sonhos. Pingando e pintando em chumbo sobre folhas de papel, sem que o discurso tenha forma no peito, é que se tem um relatório. Isto de muito empenhar emoção para juntar dados e resumir informações é para burocratas egocêntricos que dificultam o livre nascer do conhecimento. Dificultada a regra da concatenação e um tucho de apropriados das técnicas vive do que outros resumem.

Dia algum haverá em que a puta seja a gerente e o verso idem.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

poema vagal

chego sem idéia
abro a tela
junto os pincéis
imponho a pressão
sinto o vazio
desencontro o objetivo
retorno à labuta
idéia não vêm
tela se fecha
pincéis se quebram
pressão se impõem
objetivo se perde
labuta... ah não!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Adubo Orgânico

Deverei abandonar
O de dentro de meu casebre
Um todo ajuntado de cacos
Que trouxe junto com as jóias
Da minha memória
Gravada na laje de um rio

Preciso descer a correnteza
Abandonar um tanto o meu leito
Procurar na foz outras tantas águas
Serpentear por outras muitas terras
Cair do cume de outras cachoeiras
Acumular-me em montes de poços

Pois como posso querer
Quando vieres
Dar-te um punhado de pétalas
Se neste pátio descoberto que me tornei
As plantas já reclamam
A falta do jardineiro

terça-feira, 4 de novembro de 2008

a mídia é baixa

juntados às últimas cenas
que vi na televisão
em entrevistas
sobraram ácidos
suficientes para invalidar
os resquícios de pensamento
comandados pelo raciocínio.
quando olhei para dentro da caixa branca
vi que ele derretia
e era interessante ver
todo o cinza daquela massa
que representava a fuga da selvageria
agora reduzida ao cinza não cor.
juntei todo o oco
preenchimento de ar
que assumia espaço
dando tempo ao desmanchar
semovente e indolor.
quando quase findava
o abrupto descobrimento
da futura impossibilidade
de encefalias
escrevi estas palavras
estúpidas.

Inerências retóricas

escrito e dinâmico * A razão é a busca dela. Está sempre entre seu impulso e sua descoberta. ..............................