Aqui está o tergiversar ininterrupto que os intervalos empurram dos meus silêncios para este caderno não-papel.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Conto da contemplação
Palavras. Uma profusão de termos ambíguos implodiu o extinto planeta. Juliano olhava desde si até o riacho. O dia normal alegrou a todos. Sabiam da finitude. Só coisas alegres importavam. O filho observou a ladeira que parecia escorregar por debaixo do objeto animado. Sorriu e disse, bola! O pai contemplou a imaterial completude entre o ser e o espaço. Juliano falou com os olhos, felicidade!
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Fedor de presidente
Nos tempos modernos o pensamento dos presidentes de grandes corporações, diária e insistentemente, fede. A mim me parece pior justo pela motivação. Ao que parece são apenas idiotas fracassados cujo único sucesso na mediocridade de suas existências é roubar as possibilidades de uma vida de relações pessoais, humanas, quentes, das gerações mais novas. Oferecem telas brilhosas para crianças e em troca roubam sua vitalidade utilizando-se do pior que há no marketing. E os profissionais de marketing, será que todos ainda acreditam que esse problema não é seu, que a ética das corporações para quem por míseros trocados trabalham não lhes diz respeito? Às vezes lembro dos estagiários babando ovos e atualmente também babando seios para galgar um carguinho na diretoria. Tantas pessoas caindo nos velhos truques onde frustrados vendem pensamentos mofados nas suas palestras motivacionais, travestem a falta de criatividade com novos termos, tipo coach... Pena utilizarem pensamentos válidos abastecidos com muita idiotice, validam a miséria de suas mentes com citações fora de contexto, sofistas no pior do termo usam a dialética como arma de convencimento e não como alavanca para o conhecimento. O pensamento moderno dos presidentes das grandes corporações, diária e insistentemente, fede.
domingo, 22 de setembro de 2013
Meudoxo
Sei que quanto mais me afasto da alegria comprada nos comerciais, mais me afasto das pessoas que gosto, considero, amo, convivo. Ao passo que sonho a intimidade advinda do íntimo, opositora da intimidade vida do shopping, troco a cumplicidade das compras pela dificuldade dos seres. Perco intimidades no mundo dos estereótipos. Assim sou menos coletivo mesmo quando quero ser mais plural. Fazer o quê? Sou dado a me relacionar com almas.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
O pão de mãe
Pra ver como é a vida. Havia na minha mesa, dois pães, aqueles de fazer cachorro quente. Nem sou fã deles, mas compro. Fritei um filezinho de frango que a namorada trouxe, temperei com um tempero urugauio, misturei três salsichas em rodelas, sou chique, parti os pães e comi como um padre. Mas ser humano satisfeito é ser humano insatisfeito. Assim, apreciando a chuvarada com raios atropelando o ar parado, pensava na falta que um pãozinho estaria por fazer mais tarde, quando levantasse da rede para um café com leite. Toc, toc... Entra aí Nardo, tranquilo? Sim, é que eu vim da casa da minha mãe e ela me deu muito pão, te trouxe um pedaço. Agora cá estou, a comer pão de mãe, deitado na rede, a chuva caindo e zzzzz...
Anarquismo reacionário
O anarquismo que não é bagunça e sim a soma de movimentos individuais e independentes parece enfim ter encontrado uma forma para se manifestar com efetividade. Era um conhecido que estava completamente desacreditado, estava. Pelo condão pejorativo do termo, muitos ainda enxergam em si o sujeito reacionário que viam, mas já não se reconhecem tanto assim.
Hoje o Brasil é um país politicamente tão cheio de 'anarquistas' quanto o miserável e comercial futebol brasileiro é cheio de técnicos, juízes e lavagem de dinheiro. A diferença clara está no que antes parecia obscuro. O anarquismo, figura que historicamente trouxe o medo de um descontrole social, agora é justamente o elemento que garante ao manifestante de rua tuiteiro, a dona de casa feicebuquiana, ao gerente baba-ovos leitor de jornal, ao militante partidário engajado nas compras coletivas o escudo que não tinham para lhes polir a coragem. O anarquismo trouxe a preservação da identidade. Estamos indo bem, basta continuar.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
A resiliência e a prática de amar
Nesse tamanho que tenho ao peito
frente ao mundo que me veste
sinto o sonho de preencher quereres
além do que me consterna
Nesse caminhar lento de onde venho
a cada dia venço um teste
quando aceito receber dos passos dados
menos do que alcançou a perna
Nesse viver que amanhã intento
por ter no peito esse tamanho
darei hoje mais um passo para o sonho
mesmo aquém do que a boca encerra
frente ao mundo que me veste
sinto o sonho de preencher quereres
além do que me consterna
Nesse caminhar lento de onde venho
a cada dia venço um teste
quando aceito receber dos passos dados
menos do que alcançou a perna
Nesse viver que amanhã intento
por ter no peito esse tamanho
darei hoje mais um passo para o sonho
mesmo aquém do que a boca encerra
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