Existem -se penso, logo...- momentos em que a precedência de eventos naturais, por conseguinte obras donas de si e maiores que nossa força, moldam intenções de movimento. A vontade de acudir, no sentido de proteger pessoas que povoam nossas melhores vontades de permanência e de se acolher nelas ou com elas, cresce com a ampliação das percepções extra e sensoriais provocadas por grandes transformações ambientais. Sonhando assim, num prelúdio de ventania atemporal, vi:
'O vento soprou o cinza sobre minha casa, as folhas de bananeira roçavam o telhado num dizer de telégrafo rápido e preciso que despertava a atenção. Entre as pessoas que se agruparam em minha mente nos seus rumores e tipos de ser, estava você. Te vi com olho de foco perfeito, mesmo distante de mim te sabia cada linha de expressão. Por ser sonho real aceitei que o balé enérgico das ondas nem sequer te lançavam névoa. Com uma âncora firme presa a balsa que te deixara ainda mais sinuosa, tapetes macios acariciando os pés, cobertores e almofadas aqueciam esse teu canto. Num sorriso combinado com um olhar de quem espreita e, feminina, mira seu querer, me fizeste um convite para repousar em teus braços. Comemos amêndoas doces.'
Aqui está o tergiversar ininterrupto que os intervalos empurram dos meus silêncios para este caderno não-papel.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
A espera do orvalho
É para ser notório
de mim para meu ver nem que seja
Que você quando não é aqui
me murcho
Ah! seio de amar ido tão longe
faz sentir tua vontade de mim
sem que minha boca te toque
nem que eu te beba
No assim de enquanto vou provando o intervalo
porque não sei bem guardar o passado da presença
Os preenchimentos me causam dependência
e preso nas palavras, sem fim ou teor, aumento os versos
O véu do desconforto
farfalhando com sinal bandeira
disse que teus sonhos foram contigo
e sou só num imaginar solitário
Sei porém que basta o orvalho
de um Olá! solto em tua voz
para fazer do eu folha em tom amarelado
um canteiro todo de cravos vermelhos
Teus pés são a massagem das minhas mãos
Em todo quando vou para ti de peito aberto
Caminho sem pestanejo e antes de ir te chamo
Não sei o que não sou e sendo o que sou
amo!
de mim para meu ver nem que seja
Que você quando não é aqui
me murcho
Ah! seio de amar ido tão longe
faz sentir tua vontade de mim
sem que minha boca te toque
nem que eu te beba
No assim de enquanto vou provando o intervalo
porque não sei bem guardar o passado da presença
Os preenchimentos me causam dependência
e preso nas palavras, sem fim ou teor, aumento os versos
O véu do desconforto
farfalhando com sinal bandeira
disse que teus sonhos foram contigo
e sou só num imaginar solitário
Sei porém que basta o orvalho
de um Olá! solto em tua voz
para fazer do eu folha em tom amarelado
um canteiro todo de cravos vermelhos
Teus pés são a massagem das minhas mãos
Em todo quando vou para ti de peito aberto
Caminho sem pestanejo e antes de ir te chamo
Não sei o que não sou e sendo o que sou
amo!
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
A construção do eu, mas só o meu.
Algumas preferências ditam muitas reações.
Nem todas as ações refletem.
Um passo para trás pode levar muito para trás.
Acredito que creio, ou seja, não creio.
Sou um produto que está no meio.
Um idéia guardada não fede nem cheira.
Frases curtas evitam delongas.
Nem todas as ações refletem.
Um passo para trás pode levar muito para trás.
Acredito que creio, ou seja, não creio.
Sou um produto que está no meio.
Um idéia guardada não fede nem cheira.
Frases curtas evitam delongas.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Intervalos
Há tempos que são não
E de não serem de ser
Nem querem ser espaço ou oração
Há tempos que não são
E de não serem de ser
Nem querem ser sós ou solidão
Há tempos que são não
E de serem de não ser
Querem ser tempo ou gratidão
Há tempos que não são
E de serem de não ser
Querem ser todos ou multidão
Há tempos que são
Há tempos que não
*Inspirado no estudo filosófico de Marcio Paludo
E de não serem de ser
Nem querem ser espaço ou oração
Há tempos que não são
E de não serem de ser
Nem querem ser sós ou solidão
Há tempos que são não
E de serem de não ser
Querem ser tempo ou gratidão
Há tempos que não são
E de serem de não ser
Querem ser todos ou multidão
Há tempos que são
Há tempos que não
*Inspirado no estudo filosófico de Marcio Paludo
terça-feira, 22 de novembro de 2011
xô - uma oração de despejo
vá-se de ré
suplício indolor
sulcado na fé
de um sem amor
some de mim
querer sobre-humano
qual noite sem fim
de um dia insano
corre pra longe
vilã da leveza
vivendo agarrada
na minha tristeza
sai daqui!
suplício indolor
sulcado na fé
de um sem amor
some de mim
querer sobre-humano
qual noite sem fim
de um dia insano
corre pra longe
vilã da leveza
vivendo agarrada
na minha tristeza
sai daqui!
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Feche os olhos
Veja o sol que abrasa a segunda
Num tom pastel sem vontade
Com meia hora de adianto para o atrasado
Sem ponto que pare ônibus
Veja a sombra que clareia a segunda
Num sem vontade que de tom
Com atraso de meia hora para o adiantado
Sem ônibus que avance o ponto
Veja a semana que irá
antes que a sexta chegue
pelo teu nervoso querer
livrar-se da segunda
Num tom pastel sem vontade
Com meia hora de adianto para o atrasado
Sem ponto que pare ônibus
Veja a sombra que clareia a segunda
Num sem vontade que de tom
Com atraso de meia hora para o adiantado
Sem ônibus que avance o ponto
Veja a semana que irá
antes que a sexta chegue
pelo teu nervoso querer
livrar-se da segunda
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Leve névoa
No finalzinho da lagoa
bem pertinho da cachoeira
onde os montes marcam um vale
leve névoa apareceu.
No finalzinho do caminho
bem pertinho da floresta
onde o monte esconde o mar
raio de sol reapareceu.
Aqui a bruma refresca
as lembranças dos dias com ela.
Lá o ar colhe e traz seu cheiro
para perfumar a leve névoa.
bem pertinho da cachoeira
onde os montes marcam um vale
leve névoa apareceu.
No finalzinho do caminho
bem pertinho da floresta
onde o monte esconde o mar
raio de sol reapareceu.
Aqui a bruma refresca
as lembranças dos dias com ela.
Lá o ar colhe e traz seu cheiro
para perfumar a leve névoa.
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