Aqui está o tergiversar ininterrupto que os intervalos empurram dos meus silêncios para este caderno não-papel.
sábado, 11 de julho de 2009
Contam as fadas
colorida pela aurora que
em tempo chegará na luz-sabor
de recheio chocolate
E teus cabelos que encurtaram
com o tempo que apurou teu gosto
serão a base para as tranças
de farol em lamparina
Descer até o suspiro que ecoa
e de minha alma trina querer a busca
faz da Rapunzel do vale vislumbrado
meu horizonte em teu chamado
Acredita neste crer e querer
que na torre de nossas almas nasce
e transborda tranças pela janela de nossas faces
com o brilho dos teus olhos
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Ler ou observar?
Sem autor citado, talvez a idéia tenha surgido de uma reflexão individual, de um exercício de raciocínio, da audição de alguns discursos que se somaram, da paciente observação da natureza… E isto é imaginação, conhecimento adquirido pelo estudo ou é observação de fato??
Prática e teoria continuam entendidas como forças que se confrontam. Parece que o embate é verdadeiramente entre práticos e teóricos. Isto me parece praticamente uma teoria.
Será que falta ao conhecedor que aprende pela observação olhar com menos preconceito para o que lê? Será que falta humildade ao pesquisador acadêmico?
domingo, 5 de julho de 2009
movimento transitório
preciso respirar
para do passo que dou
em toda busca de horizonte
a vida seja mais que um aceno
e a subida ao éden
seja um vislumbre
sem que seja para já um fato
Fonte de inspiração para o texto:
do Ariano Suassuna na peça O Auto da Compadecida: “…cumpriu sua sentença, encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação, que iguala tudo que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo que é vivo, morre.”
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Está guardada no paiol
Parecia apenas uma atitude non sense usar tanto a minha pá, valer-se da existência dela e alternar sua valia como se ela nada fosse. Espreitei muitas vezes aquelas chegadas disfarçadas dos que se pintavam como quem estava passando. Já sem pedir vinham, pegavam, usavam e nem limpavam. Tantas vezes largaram por qualquer lado, atiraram de um jeito qualquer e usaram sem pudor. Fizeram porque dei aceite dos momentos ímpares, por saber que lhes via graça, por querer lhes ver sem encalhes.
O uso das coisas lhes dá vida e alimenta a vontade de cuidar, mas vai dia trás um d’outro e há abuso que cansa; como este de deixar a ferramenta pronta a qualquer hora. Haveria, talvez, de receber alguma atenção para animar a manutenção das ferramentas. É dura a prontidão que demanda permanecer atento nas horas todas sem descanso da vista ou desvio da atenção quando é unilateral a valorização.
Bom tempo em que não pedi moedas como aluguel e segui sem reclames da partilha vendo poesia em poder auxiliar na empreita no esperançoso sentido de ser útil e não uso. Mas agora guardo a pá pronta para mim. Quando alguém encalhar no caminho que me peça. Não faço mais oferta antecipada. Guardei no paiol. Acho que peguei gosto e valor na ferramenta.
Se houver quem se deixe perceber que respeitar limitações é uma boa vênia, talvez enxergue valor na compreensão de receber sem exaurir. É a menor distância entre minha mão e a chave do paiol.
Moedas estrangeiras
Passei bons dias sem me passar nada. Moedas estrangeiras nos seus devidos lugares propiciaram estas minhas férias.
Quando penso no que ouço ou vejo, sinto dor. Minha cabeça que fora acostumada e treinada para enxergar movimento, pujança, avanço ou até desenvolvimento faz das tripas o coração para encontrar o que procura. Porém este meu coração idelizador de estados perfeitos insiste que nada avançou na economia. De fato nada que represente algum adianto de uma casta que soma mais indíviduos porém menos cédulas. Os de menos dinheiro parecem insistir em devolver os trocados que ganham para os que não precisam deles. E esses não precisam nem dos trocados nem dos que se amarrotam por eles.
Moedas estrangeiras são passionais e mudam sempre do mesmo jeito. Gosto delas. Facilitam as férias da mente.
Guardar armas
Fazia as vontades das suas fraquezas, despejando muito suor e muita imagem a cada feito. Corria entre os dias levando ao peito o distintivo da fome de quem quer tudo o que vê. Apresentava-se aureolada com a impassividade de quem crê lutar pelo que vai transformar o cosmo. Era uma pessoa comum.
Agarrado ao seu calcanhar, dando pouco vulto da presença, seguia com ela um monstro. E ele crescia com o sangue que lhe sugava. As armas do predador eram aquelas que a presa utilizava para seus intentos, sem saber ao certo de onde vinham.
Quando a vítima se propunha arrancar o monstro de seu calcanhar, usava das ferramentas criadas por ele. Assim é que ele crescia, pois seu desenvolvimento carecia de importância. Quando esquecia do que lhe era externo e lembrava-se de respirar, suas forças pareciam infinitas e as do algoz sucumbiam.
Vida difícil para quem ao se debater alimenta o monstro que o devora. Vida tensa para quem assiste.
domingo, 7 de junho de 2009
Terceiro tempo
Gostei de ver o desespero velado para largarem a teta.
Quando os cães eram pequeninos, agarravam-se à teta desta grande cadela quase infinita de leite. E bebiam com tanto medo de que a teta secasse que quase mataram a cadela com as feridas que lhe faziam a cada mordida impiedosa.
Da outra vez que vieram mamar, perceberam que não era preciso pressa. Havia e há muito leite, desde que a cadela seja mantida viva. E então pensaram que poderiam atá-la no pátio das suas casas para mamar sempre que quisessem.
Alguns ainda crêem que é possível ficar eternamente agarrado à teta. Mas os que mamaram mais, os que já estão mais fortes, estes perceberam que é perigoso adonar-se eternamente do leite. Mamar em demasia deixa o cão gordo e preguiçoso, um prato cheio para cães famintos.
Inerências retóricas
escrito e dinâmico * A razão é a busca dela. Está sempre entre seu impulso e sua descoberta. ..............................
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eufui, eufui pro Mato Grosso eufui eufui eufui, eufui pro Mato Grosso eufui eufui eufui, eufui pro Mato Grosso eufui
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Hã? Um dia inteiro sem receber informações via televisão foi o suficiente para que sessenta e oito porcento dos meus dilemas sumissem. O esf...
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O Estado no Brasil é inimigo do cidadão. O paradoxo é ser o cidadão brasileiro o maior apoiador do Estado Inimigo. A culpa? Interpretaç...