terça-feira, 10 de março de 2009

Salário é alimento, negar é desumano.

Disseram que há crise na Lagoa. A da Conceição, que fica no meio da ilha de santa catarina. Como este pedaço de chão não me diz sem que eu saiba geologia, como é que se formou, não digo que ela foi cavada, nem que seja pelo tempo, pois pode que seja resultado de ajuntamento de terras como muros, deixando um buraco para juntar água no meio.

Sálário atrasado de funcionário quando o verão não acabou, é conta que lugar de turismo nem em sonho haveria de fazer. E quanto mais num momento em que até o carnaval já passou, situação que sugere que as burras do empresários devem ter muita carga de moedas.

O que poderá então ser o motivador de falta de pagamento por serviço prestado, sem fazer grande alarde com isto, parece ser uma boa pergunta. E não sobra muito para dizer considerando que, em primeiro lugar, o Brasil gerou muita riqueza nos últimos anos, então os cofres deveriam ter reservas; em segundo lugar o verão já deu o grosso do dinheiro que dá por estas terras; em terceiro lugar os empresários não arriscariam perder funcionários nos próximos anos, ou ter que contratar incompetentes e desonestos por ser fazerem agora eles de safados. Mata de fome quem te serve e logo te faltará quem te traga comida à boca.

Parece que a crise na Lagoa é uma mania de reclames na pior linha do senso comum em que o ser humano se comporta como ser bovino.

domingo, 8 de março de 2009

Vale criar um ídolo de muitos?

É possível que alguém faça diferença na história humana? Se um indivíduo for de fato um entre vários, se de verdade se constitui ímpar entre muitos, será possível que se torne um ponto de referência no tempo? Parece que não.
Hoje havia um bom grupo de pessoas dentro da água. O mar rebolava em ritmo de samba-canção e o grupo se favoreceu das possibilidades de nadar, boiar, caminhar, mergulhar e se abstrair num mundo de pouco perigo. Regime mais democrático que este eu duvido que haja. Onde se reúnem banhistas e há espaço para todos, a educação é um detalhe que se observa na areia, na calçada, ou na rua avistada de dentro do mar.
Lá, neste parque aquático natural e livre, o mais possível de influência que alguém pode repercutir é provavelmente o de afogamento. Para que um ser apenas, motivado em alterar este arranjo das coisas, consiga fazer diferença, de forma tal que, considerado por todos, o diferente seja histórico, é necessário muito apoio e no mínimo auxílios indiretos. Pode que se faça algo incrível e histórico numa tarde na praia, pode que o fato se ligue a alguém. Parece-me que atibuir a façanha a uma única pessoa é um engano. Mais provável é admitir que um alguém seja utilizado como um símbolo ou marca para a lembrança.
Atos individuais poderiam deixar de ser critério para homenagens e premiações vindas do coletivo.

Pontes

Embora saibamos que o fim existe, há sempre um mote guardado à procura de vaga entre as falas para dizer que o bem persiste. Um traço de azul quase nunca se apaga no céu e exige muito esforço das nuvens para que não se mostre. A distância encurtada ou alongada processa a vida com seus sabores ou memórias. Existir a história primeiro e a geografia depois é uma regra. Só existe onde se algo há ou houve. As páginas escritas são a água ou o fogo do quanto se dista. Bom lembrar encurta lonjuras e o inverso vê-se.

Há guardado em mim o que de ti sobrou quando fizemos a vida sem polêmica e atravessamos parte da terra caminhando de mãos dadas. Nos olhos que viajam juntos encontra-se a mesma admiração para qualquer paisagem. O tempo cuida para que, no dia em que já não exista, apareçam os quadros antes mirados. As imagens impressas contam o que cada um olhava. Pelos passos que damos chacoalha-se a peneira dos resumos. A memória, afinal, é implacável.

Suspende-se a voz por um momento em busca de se reconhecer. Saber o que de melhor soube é quase imperativo. Sabores se gravam melhor quando identificados com semblantes. Mesmo assim compreender quem lá estava é desnecessário. Quem está naquela geografia tem seu estar gravado pelo existir inequívoco.

As travessas lançadas entre as margens do passado e do futuro, aquelas todas que alcançaram os dois pontos, constroem as pontes que sustentam o ser que agora atravessa. O ser identificado com a ponte, cada ponte, segue seu caminho para uma das margens ou desaparece com aquela que rui.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Euroexcêntrico

Pensar nosso país a partir do conhecimento trazido da europa é um disparate. Temos que admitir de uma vez por todas que a comunidade européia, de forma individual ou somando-se nos países que a compõe, possui quando muito conhecimento suficiente para enfrentar seus próprios dilemas. Entender-se como uma sociedade onde os seres que a formam, afora seus poderes diferentes de consumo, são merecedores dos mesmos direitos à vida, quer tenham nascido na Áustria ou na África, já é muito que pedir a um europeu.

O que me atravanca seguir numa linha curva e disforme de pensamento em direção a  unidade que faria da humanidade um grupo digno do nome, é a percepção de que, para que isto seja verdadeiro, cada grupo suficientemente diferente deve primeiro encontrar-se em si e conforme os seus conceitos.

Nós aqui no Brasil não temos a mínima idéia de quem somos pela forma que nos pensamos. O melhor que chegamos de definição, vêm da europa, do pensamento eurocêntrico como dizem os europensadores baseados nos euroconceitos. Nossos pensadores bebem lá os conceitos que aplicam para explicar isso aqui.

Parece-me que nos vemos ainda isto e não estes. Ou seremos o isto daquilo? Ou não é assim que se pensa? Eita nó!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Porquê o movimento humano também é um negócio?

Por toda a cidade passam a caminhar sem que o trabalho seja o horizonte. Por quase todas as praias e muito pelo centro urbano, há quem observe os que chegam, passam, seguem, sonham parar, gostam, tiram fotos... Florianópolis é uma cidade turística e se for vista em um catálogo, é mais uma entre tantas opções.

Quanto tempo foi gasto para que cada um dos que por cá atravessam pudessem por cá passar? É indiferente saber se podem se demorar mais do que um dia na cidade. Já não se conhece aquele que vem, conta-se nos grupos segmentados que cruzam este espaço no verão. São estatística, quase todos. Porém de lá de onde vieram poderia fazer diferença o tempo gasto, ou consumido por cada viajante. Se para cá vieram é de crer que para lá eles estão a faltar, se não não falta também a riqueza que trazem. Será que um pouco do que levam quando produzem coisas que aqui são consumidas está no bolso deles? Seremos nós que os consumimos?

O vai e vém de todos que vamos e viemos gera mais do que transformações nos ambientes habitados fugaz ou perenemente. Nossa imagem gera novos espaços por onde passamos. Dificilmente não somos percebidos. Qualquer um que se movimente é um ponto de referência. Qualquer direção que escolhemos é uma possibilidade aberta para quem observa. Parece que os trânsitos livres são agências de fomento da curiosidade e moeda forte para o desenvolvimento humano. Será a troca avalorada o combustível para o trânsito livre?

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Menos um

Acordar e o sol não veio
Faço meus votos para o dia
Levanto para urinar
Sento e olho o fogo sob a chaleira

Almoçar e o sol não veio
Faço meus pedidos para o dia
Encosto para cochilar
Levanto e assisto a luz do quarto acesa

Jantar e o sol não veio
Faço meus agradecimentos para o dia
Deito para fugir
Saio de mim e apago a lua

Querem tomar meu leite

Bem pertinho dos dez por cento. Isso mesmo, quase a décima parte de uma renda inteira só para acessar a internet. Essa assinatura para mobilidade que tanto falam parece mais um engôdo. O custo para oferecer este tipo de serviço é diluído entre milhões de usuários no Brasil. Tem quem diga que aqui é até barato. Nem que a vaca faça bola de chiclete estes cinquenta reais para acessar a internet deixa de ser caro.
Custando um real e trinta centavos, mais cá menos lá, o litro do leite chega bem tratado sobre a mesa do trabalhador médio. Com mais um real e trinta é capaz de chegarem mais quatro pãezinhos. Se for um casal só de eles mesmo, com cerca de quatro reais o café da manhã segura bem a fome até o lanche daz dez e com um pouco de boa vontade se chega bem ao meio-dia. Em trinta dias do mês deu cento e vinte, na pilha dos reais, o custo de comer cedo. Basta repetir a economia nas três principais refeições do dia e o mês fecha em trezentos e sessenta reais de bóia. Junta um gás de quarenta reais mais o desconto na folha e o salário deu tamanho.
A informação é que pode mudar isto. Água, luz, telefone, estudos, remédios, prestação da casa, roupas, passeio no final de semana, corte de cabelo, esmalte de unha, móveis, eletrodomésticos... o governo já dá mesmo!?
O negócio é vender mais dez por cento da força ganha com o leite e os pãezinhos.

Inerências retóricas

escrito e dinâmico * A razão é a busca dela. Está sempre entre seu impulso e sua descoberta. ..............................