sábado, 7 de abril de 2018

O botão do foda-se

A genta passa a vida acreditando que em um determinado momento vira um ancião que sabe das coisas, que adquire douto saber, que tem discurso digno de calar. Pois bem, cheguei lá e antes que digam que não foi por mérito, digo eu, não foi. Mas cheguei e isso é óbvio, estou escrevendo aqui, prova de que o que é é o que sou, um ancião. A ideia é que ao chegar aa idade de ancião a vida muda.

No dia que completei meus cinquenta anos de vida, ou seja, passaria a partir dali a ter mais do que cinquenta porque a contagem começa do zero, cuidei de acordar sereno, de boa na lagoa, propriamente um ser que sabe e de saber não se abala nem com essa coisa completamente inexplicável que é o Sol 'nascendo'; dá pra acreditar, o sol nasce... Acordei, estava bem, olhei para o quarto e não era de um sheik, não havia mudado nada, mas foda-se. Daí levantei, fui dar minha mijadinha e olhar no espelho se eu realmente estava lá, o banheiro não era com piso aquecido, tudo igual, mas foda-se. Voltei para o quarto, café na cama, bom dia com amor, tudo lindo, apesar de não ser num hotel sobre o mar na polinésia francesa ou uma suíte no sertão da ilha, as coisas do mesmo jeito, mas foda-se. Foi o dia começando, recebi fiscal da vigilância sanitária em denúncia por coisa que não devia, arrumei contas, almocei o que tinha, abri a loja para começar a trabalhar com tranquilidade afinal eu em princípio já seria um ancião e estes tem bom saber apesar de que eu não estava sabendo muito como resolver a pepinaiada toda, como de sempre e diferente em nada, mas foda-se. Aí que comecei a desconfiar que tudo era igual, acordei e não mudou nada, mas foda-se.

Só que sabemos que o tempo é senhor da razão, o dia que recebi meu certificado de ancião não foi por fim um dia em que mudou nada, amanheceu, entardeceu, anoiteceu, mas... Mudou, neste dia o botão do foda-se emperrou, embaixo. Foda-se.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Advogados...

Gente, vocês são, resumidamente, um mal necessário além de uma evidência da nossa falta de caráter para o pior como seres humanos. De outra forma são, anacronicamente, um bem possível além de uma evidência da nossa sobra de humilde tentar para o melhor como seres humanos.


Desejo esperançoso que a ideia de justiça lhes ocupe mais nesse e no resto dos seus dias do que a semântica fraca e a retórica vazia dos ritos.


Que a justiça que promovem individualmente nos seus atos lhes cubra com seu manto nos seus dias!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Nunca acabou

O preconceito nunca acabou
Não acabou o machismo
Nunca acabou o racismo
Não acabou a homofobia
Nunca acabou o ódio de classe.
O preconceito nunca acabou
Não acabou a prepotência dos machos
Nunca acabou a supremacia branca
Não acabou o medo de não ser hétero
Nunca acabou o desprezo ao pobre.
O preconceito nunca acabou
Não acabaram as ditaduras.

terça-feira, 7 de março de 2017

Mulher bonita...

Mulher bonita é a que luta
A que não luta
A que é santa
A que é puta
A que nasceu
A que se fez
A que corre
A que anda
A que chegou
A que não vai
A que goza
A que não sente
A que diz
A que cala
A que faz
A que acontece
A que dá
A que desce...

domingo, 5 de março de 2017

sábado, 4 de março de 2017

Vou pro céu

Acho que vou pro céu
Acho isso tão tanto que acho que é fé
Acho que se fé é certo é que vou
Acho que vou pro céu

Nem quando estava meio morto
Nem com o pé sobre a ponte da morte
Nem sobre ser só fé ir pro céu
Nem sequer beijando a morte duvidei

Acho que vou pro céu por ter fé
Que deus é muito inteligente
Se for deus tão inteligente como dizem que é
Tem fé como eu e certamente é ateu

sexta-feira, 3 de março de 2017

Toba de quem?

- A Carmem está com os papéis na mão dela e é presidente do clubinho, será que não tem jeito de ela mandar enrolar tudo pro novato enfiar no toba?
Porque não tinha o que fazer, Amarildo Assa Sinado tentou não fazer mais nada. Mas a vida de quem tem sina de ser Assa é a sina de não fazer mesmo, não de se fazer não fazendo. E então escreveu para um deputado, assim, com letras minúsculas, mais comum para os deputados. Ele disse vou comer teu cú, o deputado disse, condizente com o minúsculo da letra. Amarildo então escreveu para ninguém, escrito para não fazer, escrevendo mais do que havia para escrever, mas menos do que poderia. E no escrito escrito por ele havia, depois de toba?, um novo escrito.
- Carmem disse que não é ela quem enrola os papéis.
Amarildo Assa Sinado em sua sina de não fazer, foi fazer nada outra vez. Porém havia mais para escrever, o escrito ainda fazia do modo que estava feito, ruim para um não fazer. Então fez outra escrita logo após o escrito.
- Mas será que Carmem não pode pelo menos escolher o toba?

Inerências retóricas

escrito e dinâmico * A razão é a busca dela. Está sempre entre seu impulso e sua descoberta. ..............................