segunda-feira, 11 de junho de 2012

Existir é sina do que pensa.

Sofrer é a prática do existencialista
este nunca será senão uma alma
que vê gotas cadentes nos céus futuros
encerrando amizades e amores
no porque sempre simples de ser um fato.

Inexorável é o todo já determinado
nem que se rasgue aquele que existe
vive sofrido até a felicidade
finda a vida no repouso após o gozo
aceita o retrogosto dos fins amargos.

Existir é enfim sofrer a arte
de tentar por fim sempre sorrir.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Fado

O menino encontra o tio, aquele tio mais querido que os outros tios, o tio que ele curte encontrar porque , sei lá, tem um jeito diferente dos outros tios. Puxa o tio veio e como é legal estar com ele. Passa o dia, tem aquele circo na cidade, há uma semana que o circo está ali. Que vontade de ir ao circo com, com, com o tio querido, porque é mais divertido ou simplesmente o menino acredita que o tio compreende melhor ele, tem alguma coisa a mais nele, faz bem ao menino. O tio se diverte, gosta do sobrinho, curte sair ou tocar violão pra ele. De repente um 'hei tio, me leva para o circo?'. Eles sabem que o circo vai voltar, talvez não o mesmo, mas outro, o menino sabe que existirão muitos momentos para ir ao circo, mas a ideia de ir naquele dia, com o tio, naquele circo que nem é tão especial, é uma alegria que se constrói no coração do menino. O tio aceita, acha legal. O menino sonha e deixa o dia seguir, está feliz com as coisas simples e realmente importantes na vida dele, como comer a pipoca antes do circo, mesmo que não seja tão boa como a da sua mãe e ele não é tão apaixonado assim por pipoca. O mundo vai seguir girando depois que forem ao cinema, antes também, se acontecer alguma coisa e não der para ir, tudo bem, essas coisas acontecem. Final do dia o tio vem até ele, que sorri com o espírito elevado, outra vez passa a mão na cabeça dele e diz 'to indo pra casa, depois a gente se fala, tchau'.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Boa noite ao longe

Cobre-te de sonhos
aquece tua pele em sonhos
me leva visitar teu jardim dos sonhos

Até que meu sono faça presente teu último beijo
e a boca não deixe de sentir teu último beijo
na noite que encobre teu último beijo

Meu sono caminha
é silente andejo e caminha
pelos Peris que margeiam a lagoa caminha

Que a margem seja somente o limiar do reencontro
a respirar teus brilhos de olhar no reencontro
pois teu, amado, viajo e te reencontro

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Lua cheia

Shams Keiir
É noite. Isso vemos todos os que estamos no lado da terra que não é dia, simples assim, claro. Porém aqui no meu pedaço de mundo está nublado. Tanta nuvem forra esse teto que chamo meu espaço, que a lua linda, brilhante, completa e irradiante de luz não se mostra para mim. Nem por isso ela me deixa só ou numa vida sem cor. Sei que em minha existência ela vai brilhar, isso me faz crer que sou feliz. Em teu espaço, atrás de uma cortina chamada distância que me impede de te ver agora, minha amada, você ainda me faz crer que sou feliz.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Confissão de temporal

Existem -se penso, logo...- momentos em que a precedência de eventos naturais, por conseguinte obras donas de si e maiores que nossa força, moldam intenções de movimento. A vontade de acudir, no sentido de proteger pessoas que povoam nossas melhores vontades de permanência e de se acolher nelas ou com elas, cresce com a ampliação das percepções extra e sensoriais provocadas por grandes transformações ambientais. Sonhando assim, num prelúdio de ventania atemporal, vi:

'O vento soprou o cinza sobre minha casa, as folhas de bananeira roçavam o telhado num dizer de telégrafo rápido e preciso que despertava a atenção. Entre as pessoas que se agruparam em minha mente nos seus rumores e tipos de ser, estava você. Te vi com olho de foco perfeito, mesmo distante de mim te sabia cada linha de expressão. Por ser sonho real aceitei que o balé enérgico das ondas nem sequer te lançavam névoa. Com uma âncora firme presa a balsa que te deixara ainda mais sinuosa, tapetes macios acariciando os pés, cobertores e almofadas aqueciam esse teu canto. Num sorriso combinado com um olhar de quem espreita e, feminina, mira seu querer, me fizeste um convite para repousar em teus braços. Comemos amêndoas doces.'

quarta-feira, 7 de março de 2012

A espera do orvalho

É para ser notório
de mim para meu ver nem que seja
Que você quando não é aqui
me murcho

Ah! seio de amar ido tão longe
faz sentir tua vontade de mim
sem que minha boca te toque
nem que eu te beba

No assim de enquanto vou provando o intervalo
porque não sei bem guardar o passado da presença
Os preenchimentos me causam dependência
e preso nas palavras, sem fim ou teor, aumento os versos

O véu do desconforto
farfalhando com sinal bandeira
disse que teus sonhos foram contigo
e sou só num imaginar solitário

Sei porém que basta o orvalho
de um Olá! solto em tua voz
para fazer do eu folha em tom amarelado
um canteiro todo de cravos vermelhos

Teus pés são a massagem das minhas mãos
Em todo quando vou para ti de peito aberto
Caminho sem pestanejo e antes de ir te chamo
Não sei o que não sou e sendo o que sou
amo!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A construção do eu, mas só o meu.

Algumas preferências ditam muitas reações.
Nem todas as ações refletem.
Um passo para trás pode levar muito para trás.
Acredito que creio, ou seja, não creio.
Sou um produto que está no meio.
Um idéia guardada não fede nem cheira.
Frases curtas evitam delongas.

Inerências retóricas

escrito e dinâmico * A razão é a busca dela. Está sempre entre seu impulso e sua descoberta. ..............................