quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Einsteineidades

…e ao sentir o eco do que passava silente na memória, quando revivi algumas turbulências, percebi que à vista e colorida havia ficado intocável há tempo e noutro lugar... e lembrava cheiros que um dia colaram cantos subcutâneos... e assim soube que a lembrança é sinal de que algum andar em frente me deixou com a mão distante dos cabelos que já pentearam meus dedos... e tentando sintonizar meus sentidos caminho até o chuveiro... e me entregarei ao banho que agora deixará o corpo sem manchas, sem marcas, sem cheiros e gostos que não sejam aqueles que dos sonhos nascem... e estarei alguns minutos fora do espaço e dentro do tempo… e em ambos os tempos.

sábado, 1 de agosto de 2009

colorido ‘ma non tropo’

Subi a trilha que levava ao buraco enorme no chão de pedra e mato. Um buraco enorme no cimo de um morro é mesmo grande. A maneira mais fácil que encontrei de subir um morro sem ter problemas com a altura.

Lá embaixo do morro, no lugar mais fundo do buraco e quase tão escuro como um quarto sem janelas, vi minha sombra. Sem luz para iluminar as paredes o que vi foi meu contorno parecer sombra.

Sentei diante de mim mesmo refletido e colorido em tons de cinza. Tons que se formaram pelos inúmeros pontos de luz para trás dos meus olhos. Luz apagando e reforçando diferentes espaços da minha sombra.

Sorri as cores branca do céu do buraco e negra do abaixo de meus pés. Saí do buraco e voltei para a mesma altura no sopé do morro. As cores, enfim, sempre estiveram nos meus olhos.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

entre os passos de acordei e dormi

Tarde como manhã sem sol levando o dia sem luz.

Fui a pé pelo sereno e do centro cheguei ao bairro.

No caminho a passo ido só o espaço foi achado.

Caminhei para ver conseguido buscar na mente um atalho.

Sobrevivi serenado de água e ficou pensado um retalho.

Noite feita sem lua ou estrela trazendo dia sem aurora.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Eliminar o quê?

Um conjunto de pessoas acredita piamente que se a pobreza for eliminada o mundo será mais justo.
Será que temos mesmo problemas que são causados pela pobreza?
As fontes de materiais que podem nos tornar ricos, é finita.
O valor que atribuímos às coisas é infinito.
Estará na riqueza a fonte da feiúra da pobreza?

sábado, 11 de julho de 2009

Contam as fadas

A madrugada se estende
colorida pela aurora que
em tempo chegará na luz-sabor
de recheio chocolate

E teus cabelos que encurtaram
com o tempo que apurou teu gosto
serão a base para as tranças
de farol em lamparina

Descer até o suspiro que ecoa
e de minha alma trina querer a busca
faz da Rapunzel do vale vislumbrado
meu horizonte em teu chamado

Acredita neste crer e querer
que na torre de nossas almas nasce
e transborda tranças pela janela de nossas faces
com o brilho dos teus olhos

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Ler ou observar?

Li de um anônimo o seguinte: “Os que lêem sabem muito, mas os que observam sabem muito mais.”
Sem autor citado, talvez a idéia tenha surgido de uma reflexão individual, de um exercício de raciocínio, da audição de alguns discursos que se somaram, da paciente observação da natureza… E isto é imaginação, conhecimento adquirido pelo estudo ou é observação de fato??
Prática e teoria continuam entendidas como forças que se confrontam. Parece que o embate é verdadeiramente entre práticos e teóricos. Isto me parece praticamente uma teoria.
Será que falta ao conhecedor que aprende pela observação olhar com menos preconceito para o que lê? Será que falta humildade ao pesquisador acadêmico?

domingo, 5 de julho de 2009

movimento transitório

preciso respirar

para do passo que dou

em toda busca de horizonte

a vida seja mais que um aceno

e a subida ao éden

seja um vislumbre

sem que seja para já um fato

 

Fonte de inspiração para o texto:

do Ariano Suassuna na peça O Auto da Compadecida: “…cumpriu sua sentença, encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação, que iguala tudo que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo que é vivo, morre.”

Inerências retóricas

escrito e dinâmico * A razão é a busca dela. Está sempre entre seu impulso e sua descoberta. ..............................