terça-feira, 4 de novembro de 2008

a mídia é baixa

juntados às últimas cenas
que vi na televisão
em entrevistas
sobraram ácidos
suficientes para invalidar
os resquícios de pensamento
comandados pelo raciocínio.
quando olhei para dentro da caixa branca
vi que ele derretia
e era interessante ver
todo o cinza daquela massa
que representava a fuga da selvageria
agora reduzida ao cinza não cor.
juntei todo o oco
preenchimento de ar
que assumia espaço
dando tempo ao desmanchar
semovente e indolor.
quando quase findava
o abrupto descobrimento
da futura impossibilidade
de encefalias
escrevi estas palavras
estúpidas.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

O peixe morre pelo mosquito

A glândula exposta na boca aberta
O anzol enroscou na glândula
O fio no anzol enrolado
O caniço emenda o fio
O anzol do fio do caniço
A boca aberta puxou a glândula

Aberta a boca
Solto o caniço
Enrolado o fio
Preso o anzol
Exposta a glândula
Fechada a boca

sábado, 18 de outubro de 2008

Existe vida sob a casca

A lâmina de cada gota d'água

Em seu ritmo desenfreado de chuva

Retira lascas de pêlos encravados

Inflamados na pele

Me fecho para urrar

Em estanque pensamento

Retirando nacos de alegria

Gravados na alma

Pudera ser granizo

Quebrando minha cobertura

Fina como a possibilidade de aceite

Na entrada da primavera

O sentido de não haver sentido

Faz seguir o encravo dos pêlos

Aceitar a falta do telhado

Querer a proposta de seremos

Desnudo o que há para além da epiderme

Escarafuncho por debaixo do músculo

Reviro o interior deste bumbo

Ressonante em meu peito

Preciso de remédio

Quero tratamento

Busco minha terapia

Caminho para o mar

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Distraído

Por vezes faço caminho na inércia
sigo o brilho do escuro
tenho trauma dos mapas
encontro o que não procuro
acendo o candeeiro com água
cozinho na geladeira
visito a mim mesmo
guardo um bolso vazio
minto que não amo.
São vezes em que sou real.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

rolando

o peso que agora me calca as pernas
já não mais é o peso do caminho que prende
como repuxo de maré
o peso que levo é leve
a gordura que acumulei me suspende
como espuma de arrebentação
tenho mais em volume que em consistência
me refestelo com a manta branca que cobre minha carne
como ondas em alto mar
sou mais visível por ser mais volumoso
acabaram-se as cambalhotas de atenção
como golfinhos sem sardinha
sou mais invisível pelo mais comum que agora sou
acabou-se o chamativo estar em forma
como lagosta à vinagrete
sou mais para mim que sempre
este é um canto
que trouxe para louvar
a mim
gordo
feliz

sábado, 16 de agosto de 2008

Homenagem

Faço dos sábados todos que chegam
Dias de sem-ventura
Tempos de faltas.
Me falta o que dizer nestes dias
Em que minha incompetência me reduz
A esbravejar.
Assim dedico a mim e em especial
Ao meu ego autopiedoso
Esta merda escrita.

sábado, 2 de agosto de 2008

pelo prazer de te buscar

Quando recolher minhas asas
e sentir que a terra sob meus pés é a tua terra
estarei em casa.

Ai parceira brisa que ao sustentar as asas
leva a vista para além da vista
deste confessado réu.

Planarei até que o sonho do pouso
enfim seja no chão do teu paradeiro
ou seja o mar
o meu pouso derradeiro...

Inerências retóricas

escrito e dinâmico * A razão é a busca dela. Está sempre entre seu impulso e sua descoberta. ..............................